schopenhauer

#40 Somos toscos iguais

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Imagem tirada do blog LIQUIDIFICORDEL#4

Filósofo de bar geralmente é aquela pessoa que quando tá muito bêbada acaba achando que o seu pensamento toscos é genial o bastante a ponto de ser inaceitável não compartilhar com a humanidade, as redes sociais estão cheias de filósofos de bar.

Ele sempre chegava no bar calado, sentava numa mesa sozinho e começa a beber e depois que já tinha bêbado bastante começa a filosofar. Nunca incomodou nem um cliente, na maioria das vezes ele os entretinham. Um dia um dos clientes empolgado com a bebida e com o que ele tinha dito, falou: — todo bar que preste tem um filósofo e nesse bar não é diferente, pois temos você, e aportou pra ele, um homem da pela escura, cabelo crespo e com uma barriga de chopp, um sujeito que pra descobrir o nome dele só depois que ele ficou bastante bêbado e conversador, agora todos já sabem que ele se chama Ricardo e que trabalha de mecânico perto lá do bar, que ele trabalha de mecânica muitos já sabiam, a unanimidade era o desconhecimento em relação ao seu nome. Que não fez muito diferente as pessoas saberem, pois todos continuavam a chama-lo de filósofo.

Um certo dia, ele estava sentado sozinho bebendo numa mesa e na mesa ao lado também tinha um cliente que a única companhia era um copo cheio de cerveja e uma garrafa pela metade, esse sujeito estava falando ao celular, e antes de desligar a ligação falou bem alto: — Você tá certa, agora que fui demitido eu não sou mais porra nem uma! E desligou o telefone. O filósofo ouviu isso é foi até a sua mesa e disse: — Nunca aceite alguém dizer que você não é porra nem uma, pois não passamos de porras evoluídas, logo alguma porra você é. E o sujeito a única coisa que fez foi rir e agradecer pela frase motivacional.

Se passou algumas semanas e o filósofo voltou ao bar, o bar estava cheio, era um domingo à tarde, e como sua fama no bar já estava grande, ele ouvir de alguns clientes se eles teriam a honra de ouvir-lo filosofar. Ele passou sem entender nada e sem responder, foi direto pro banco que fica em frente ao balcão, pois era um dos poucos lugares vazios, começou a beber, depois da quarta garrafa ele se levantou e começou a filosofar. Um estudante de filosofia, que estava usando uma camisa que tinha estampado bem na frente a frase “somos todos iguais”, empolgado, empolgado é um belo eufemismo pra bêbado, declarou: — Esse é o nosso choppenhauer, uma alusão ao filósofo alemão Schopenhauer, logo após ouvir as palavras do Ricardo, que foram essas: — Somos todos iguais, achamos que o Deus que acreditamos é o único Deus que existe, enquanto o dos outros é apenas invenção, mas para os outros, nós somos os outros. Somos todos iguais. Enquanto achamos que o outro tem uma opinião diferente porque são mal informados, o outro acha que pensamos diferente porque não nos informados direito. Somos todos iguais. Nós odiamos quem acha que tá sempre certo, nós achamos que estamos sempre com a razão. Nós somos todos iguais! Somos todos iguais! O inferno são os outros e você sempre será os outros de alguém…Somos toscos iguais.

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