relacionamento

#45 Tem casais que a única coisa que tem de comum é o fato de não ter nada em comum.

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A Cibele é de Alcântara, interior do Maranhão, e adora anime. O Thierry é da capital maranhense e acha que anime, coisa na qual chama propositalmente de desenho japonês, é coisa de virgem. A Cibele era virgem quando eles se conheceram e continuou assim por um longo tempo, seis horas após serem apresentados um ao outro por uma amiga em comum dos dois.
Antes de se despedirem trocaram seus números. Pelo aplicativo de mensagens instantâneas marcaram de sair. Ela chama o aplicativo de whatsapp, já ele de atezap.

Fizeram várias tours pela cidade que geralmente terminava em motéis. Às vezes iam ao cinema, o Thierry sempre achou os filmes melhores que os livros, pois nunca teve paciência pra ler nem um. Já ela se surpreende com a capacidade que alguns seres humanos têm de transformar livros incríveis em filmes toscos.
A Alcantarense é universitária e esse foi o motivo que a levou deixar sua cidade natal e se mudar pra São Luis do Maranhão, enquanto o ludovicense enche a boca pra dizer que já acabou de estudar, quando alguém pergunta da sua escolaridade, sendo que só completou o ensino médio.

Ele é contra a legalização do aborto , já sua namorada é contra a mulher não ter autonomia sobre o próprio corpo.
Quando o casal vem ao bar, ele sempre pede cerveja e ela vinho. Geralmente frequentam o bar na sexta, dia de música ao vivo. O quase alcoólatra manda com bastante frequência, aos berros, pra banda da noite tocar pagode; já a apreciadora de vinho, todas às vezes pede, escrevendo em um guardanapo, que toque MPB. Mas uma coisa eles tem em comum, o amor. Ela ama ele e ele também se ama bastante.

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#38 Uma triste história de poliamor (8 DIÁLOGOS NO BALCÃO DO BAR)

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 — Tava assistindo um programa outro dia, onde a apresentadora, uma baita de uma gostosa, tava falando sobre relacionamento. Ai começaram a falar de um tal de poliamor, só de ouvir o nome logo pensei: “deve ser alguém que tem tesão por essas mulheres que se esfregam no pole dance”. Mas pior que não. É um tal de relacionamento a três, ai pensei: “porra, eu tenho esse negocio aí de poliamor. Eu, minha mulher e minha amante.” Ai a apresentadora explicou que os três são ciente do relacionamento. Ai pensei: “minha mulher não sabe, então não é poliamor”. Até ai eu tava achando que era tipo ânus.
— como assim tipo ânus?
— Ânus não é um nome bonitinho pra cu? Eu achei que poliamor era um nome moderninho pra traição. Mas os três sabem, um relacionamento com três, ou mais pessoas, só isso.
— Agora eu fiquei curioso, o que mais falou nesse programa ai, Paulo Victor?
— Eu não sei, minha mulher veio começar uma discussão comigo. Taynisson, eu já desistir, joguei a toalha!
— Vai deixar a mulher mandar em ti?!
— Joguei a toalha molhada em cima da cama. Hahahah

 — hahaha. É isso aí, tem que mostrar quem manda.
— Mas na real, meu casamento tá aquele tipo de relacionamento que tem tanta discussão, as discussões são tão presentes que tô até começando a achar que tô vivendo mesmo um poliamor, eu, minha mulher e a discussão. E o pior, às vezes, eu acho que ela sente mais prazer com a discussão do que comigo na cama.

#36 Nota sobre ela: Dó


Ela estava disposta a corrigir o erro que achava que cometeu, disposta a fazer de tudo pra reconquistar o seu ex namorado, pois ele a tratava como se ela fosse uma princesa, colocava sonífero no suco de maçã, dava na boca dela a deixava  dormindo trancada na parte mais alta do castelo, jeito carinhoso que eles chamavam a casa de dois andares onde moravam, e saia pra farra. Já no dia seguinte, fazia ela despertar de um sono longo e profundo com um beijo sabor cachaça barata.
A saudade era constante, pois só lembrava dos momentos carinhosos. Sentia falta até de xingar-lo: “Assim, caralho, não para, não para, porra, aí, aí, aí, isso, isso, isso, caralho!” Ou achava que a saudade era de xinga-lo.
Mesmo sua melhor amiga, aqui no bar, tentando abrir seus olhos, tentando provar que ela fez a melhor coisa que poderia ter feito, deixá-lo na caixa do passado, a mesma caixa que jogou o estilo gótico da adolescência. Ela achava que a amiga estava exagerando, ainda mais quando disse que ele não merecia que ela fizesse tudo pra te-lo de volta, como pintar o cabelo de vermelho, pois ele tem fetiche com ruiva, frequentar academia só porque o seu ex disse que adora mulher com bunda durinha. Brigaram quando a amiga falou que por muitas vezes o suposto príncipe deixava ela trancada em casa e ia pra festa.

Ela discutiu com a amiga, saiu do bar e foi de encontro ao seu príncipe encantado, resolvendo deixar no passado o tsunami de coisas erradas que ele fez, que acabou deixando só os destroços do relacionamento dos dois, e agora ela queria usar aquele terreno, onde já foi construído um belo relacionamento, pra tentar reconstruir ao poucos o lar de amor que já viveu.

Nota sobre ela: Dó

#30 A mentira escondida na verdade

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Imagem retirada do blog LIQUIDIFICORDEL

Responder uma pergunta com a verdade não significa que a pessoa não esteja te escondendo algo.

A Chuva da noite de sexta-feira não impediu a Rosana de chegar ao bar. Ela foi logo brigando com o seu namorado: — Você prometeu que ia parar de vim pro bar com seus amigos! E o Ricardo respondeu: — Eu sou um homem de palavra, por isso vim sozinho.

Sempre foi assim, deis de quando ela recebeu o convite de um cara forte, negro e bonito no Facebook, esse cara era o Ricardo, que adicionou ela quando olhou seu perfil aparecer nas sugestões de amigos, quando viu sua foto ficou encantado com a garota que tem rosto de modelo é bunda de miss bumbum, tinha que conhecer-lá, por isso mandou o convite de amizade.

Quando estava bem explícito que um estava interessado no outro, a Rosana perguntou: — E o coração tem dona? E o Ricardo respondeu com um singelo não. Duas semanas depois, ela descobriu que ele tinha namorada, e o Ricardo se explicou dizendo que não é mentiroso, que respondeu com a verdade sua pergunta, pois não tinha ninguém no coração dele, o máximo que ele tinha era um relacionamento por comodismos — tinha, pois meu coração não me permitiu continuar com aquela pessoa — completou.

A Rosana que já tinha caído na lábia do galanteador, ficou mais encantado ainda, “ele largou a namorada por minha causa, pois me ama” isso foi o que ela pensou quando ouviu isso. Um ano depois ela descobriu que foi a ex namorada do Ricardo que terminou com ele e que ele ainda tentou voltar com ela, a Rosana ficou abalada, mas estava muito apaixonado pra terminar o relacionamento.

Um mês depois ela ficou sabendo que o seu namorado tinha ficado com uma tal de Bárbara no aniversário do amigo dele, que ela não pode ir pois estava doente. Quando ela perguntou sobre a tal garota, o malandro respondeu: — Jamais seria capaz de ficar com qualquer Bárbara sabendo que o meu amor está doente. Naquele mesmo dia ela descobriu que a menina se chamava Bianca.

Há um ano a Rosana tinha mudado um pouco, começou a chegar tarde em casa, a sair mais sozinha e isso fez o Ricardo ficar paranoico, achando que toda vez que ela saia de repente e demorava a voltar era porque ela estava com um amante, por isso que ele começou a frequentar o bar sozinho, ficar bêbado era mais fácil que ficar sóbrio e pensando na possível traição da sua amada.

Naquela noite chuvosa esse foi o motivo que mais uma vez o trouxe solitário e triste ao bar, como já tinha bebido bastante criou coragem e perguntou a Rosana se ela estava traindo ele com algum homem e ela acabou com a paranoia dele dizendo que nunca o trairia com nem um homem, isso é verdade, ela nunca traiu ele com nem um homem e sim com uma loira que ela se relaciona há um ano, mas isso o Ricardo nunca descobriu.