Deus

#37 Streaming de Deus

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Imagem retirada do blog LIQUIDIFICORDEL

O bar, às vezes, é dividido em dois tipos de pessoas, as que estão felizes e as que ainda estão sóbrias.

O Caio, nessa noite de quinta, não estava feliz, nem sóbrio, por algum razão que desconheço.
Enquanto eu estava na minha rotina de cuidar do balcão e servir as mesas, ele, que estava bebendo sozinho em frente ao balcão, me descrevia a teoria que eu intitulei como “A teoria do streaming de Deus”.

O Caio, olhou em volta, mudou a posição que estava sentado, ficando de frente pra os outros clientes e de costa pra mim e começou a falar: —  Já parou pra pensar que podemos tá dentro de um serviço de stremeng onde Deus pode assistir tudo quando quiser. Por exemplo, olha aquele casou ali na mesa cinco, quando eles chegaram, ele abriu a porta do carro pra ela, ele puxou a cadeira pra ela sentar, ou seja, um filme romântico cheio de clichés.

 Presta atenção na mesa um, um grupo de jovens, que se você quiser até aposto com você como todos estão usando carteiras falsas, que estão enchendo a cara antes de ir pra uma festa onde vão encher mais ainda a cara, um tipo filme de adolescentes com muito álcool, peitos e sexo.

Tu prestou atenção que o cara da mesa dois não parava de olhar pro celular, até que a mina da mesa quatro foi sentar junto com ele, percebeu que eles chegaram há um certo tempo e só agora ela foi até lá. Eles claramente devem ter se conhecido em algum desses apps de pegação, marcado aqui no bar e como ele, provavelmente, usou algum aplicativo onde dá pra deixar você mais bonito na foto, ela demorou pra recolher, enquanto ele não tirava o celular da cara, porque deve ter ficado com vergonha achando que ela reconheceu ele, viu que ele não é bonito e preferiu ignorar-lo. Mas ela tomou a iniciativa e agora estão na mesma mesa. Ela é aquela mulher bonita dona de si que resolveu dar uma chance pros perdedores, ele é o perder típico de comédia romântica.
Aqui, seu bar, você, é tipo aquele personagens que com toda dificuldade consegue o seu objetivo, manter o bar e sua família. Enquanto eu sou tipo o jackass de Deus, eu me fodendo e ele assistindo e rindo.

#29Na esperança que seja guiado por Deus

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— Com esse carro novo eu quero ver você continuar sem pegar ninguém nessa faculdade  — Disse o Raimundo ao seu filho Tarcisio, enquanto voltava de buscar-lo. Ele ficou constrangido ao saber que o pai o considerava tão desinteressante que pra alguém ficar a fim dele, só se ele tivesse em um veículo zero quilômetro. O Raimundo colocou como trilha sonora do caminho até a casa deles o “melo da sereia”.

Deis de quando, bêbado, o Raimundo bateu o carro na calçada da casa da vizinha, o seu unigênito deixou o seu número aqui, pra eu entrar em contato sempre que o pai exagerar na bebida. E foi isso que eu fiz duas horas depois da vitória do flamengo na quarta. O Tarcisio veio buscar-lo, e o seu pai colocou pra tocar no som do carro “Debaixo Das Asas do Senhor”.

Quando voltavam da oficina, o Raimundo viu seus vizinhos e amigos à distância e antes de chegar próximo deles aumentou o som que tocava o reggae “superman”. — Poucas pessoas são mais chatas que um cara que quer se mostrar pra outros caras com o seu som novo e potente — Pensou o Tarcisio, que estava no carona.

Enquanto eles estavam voltando da praia ouvindo “Deus do impossível”, a música que o Raimundo tinha colocando enquanto o seu filho dirigia, passou duas meninas e ele, o Raimundo, gritou pra elas: — Vocês não querem carona? Meu filho dá conta de levar vocês duas ao céu. O Tarcisio aproveitou que os vidros são elétricos e fechou os dois.

Na sexta feira, o Tarcisio veio buscar o pai no bar, e assim que ele entrou, o Raimundo, foi logo colocando pra tocar no som “Deus cuida de mim”. O Tarcisio percebeu que o seu pai confiava tanto nele no volante que só ouvia música ditas de Deus quando ele estava dirigindo.