#29Na esperança que seja guiado por Deus

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— Com esse carro novo eu quero ver você continuar sem pegar ninguém nessa faculdade  — Disse o Raimundo ao seu filho Tarcisio, enquanto voltava de buscar-lo. Ele ficou constrangido ao saber que o pai o considerava tão desinteressante que pra alguém ficar a fim dele, só se ele tivesse em um veículo zero quilômetro. O Raimundo colocou como trilha sonora do caminho até a casa deles o “melo da sereia”.

Deis de quando, bêbado, o Raimundo bateu o carro na calçada da casa da vizinha, o seu unigênito deixou o seu número aqui, pra eu entrar em contato sempre que o pai exagerar na bebida. E foi isso que eu fiz duas horas depois da vitória do flamengo na quarta. O Tarcisio veio buscar-lo, e o seu pai colocou pra tocar no som do carro “Debaixo Das Asas do Senhor”.

Quando voltavam da oficina, o Raimundo viu seus vizinhos e amigos à distância e antes de chegar próximo deles aumentou o som que tocava o reggae “superman”. — Poucas pessoas são mais chatas que um cara que quer se mostrar pra outros caras com o seu som novo e potente — Pensou o Tarcisio, que estava no carona.

Enquanto eles estavam voltando da praia ouvindo “Deus do impossível”, a música que o Raimundo tinha colocando enquanto o seu filho dirigia, passou duas meninas e ele, o Raimundo, gritou pra elas: — Vocês não querem carona? Meu filho dá conta de levar vocês duas ao céu. O Tarcisio aproveitou que os vidros são elétricos e fechou os dois.

Na sexta feira, o Tarcisio veio buscar o pai no bar, e assim que ele entrou, o Raimundo, foi logo colocando pra tocar no som “Deus cuida de mim”. O Tarcisio percebeu que o seu pai confiava tanto nele no volante que só ouvia música ditas de Deus quando ele estava dirigindo.

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#28 comemoração (7 diálogos no balcão do bar)

do bar

— E ai cara.
— Fala, Renan, quanto tempo, cara.

— Tá sentando em frente ao balcão por quê? Tem tanta mesa sobrando.

— É porque quanto mais perto do balcão mais rápido a cerveja vem.

— Blz, me convenceu.

— E ai, como tá as coisas?

— Consegui um emprego, não é lá essas coisas, mas da pra me sustenta. E você?

— Mesma coisa de sempre, ainda tô trabalhando de motoboy, a Vânia de professora, o bolsa família ajuda a pagar algumas coisinhas e a nossa filha só crescendo. E puxou pra mãe.

— Então é bonita.

— E também consegue me fazer abrir a carteira fácil, fácil.

— Hahahahah. Então puxou pra mãe mesmo.

— Ei, tu sabe que sendo motoboy eu ando essa ilha todo e acabo vendo coisas.

— Claro que sei, Mateus.

— Outro dia eu ti vi entrando com uma deusa no motel. Era um filé. Cara, você tá bem alimentado.

— Eu fui comemorar que tinha conseguido um emprego novo com ela.

— Ela trabalha com você lá?

— Não, ela é garota de programa.

— Que massa! Ela trabalha em qual emissora?

#27 Um brinde 

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Imagem tirada do blog LIQUIDIFICORDEL

A Thais sentou em frente ao Diogo e o Dennis ocupou a cadeira rente a cadeira que estava o Glauber e assim todos se sentaram na mesma mesa. O Diogo é namorado da Thais, o Glauber é do Dennis.

O Glauber é o Dennis estavam brigados, a Thais e o Diogo também. O Dennis e a Thais são amigos de infância e seus namorados são amigos que se conheceram no trabalho.

Os casais vieram ao bar comemorar a reconciliação. Levado pelo momento, o Diogo levantou o copo que estava cheio de cerveja e propões um brinde: — Um brinde a esse sentimento incrível que consegue juntar pessoas diferentes chamado amor. Todos brindaram.

 — Um brinde a nós que estamos aqui todos felizes brindando o amor. — Disse a Thais logo em seguida. Brindaram todos

Quando conheceu o Dennis, o Glauber se descobriu homossexual e logo em seguida descobriu a homofobia, só ainda não conseguiu descobrir como o amor e até um ato de carinho entre duas pessoas em público pode ofender alguém. Por segurança, são raros os lugares onde eles trocam carícias.

 Aproveitando a deixa, ele também propôs um brinde: — Um brinde ao amor e que um dia o ato de carinho entre duas pessoas não seja considerado um insulto para os outras. Todos brindaram.

— Também quero propor um brinde ao amor, as várias formas de amor  — disse o Dennis. Todos brindaram.

O Diogo disse: — Que nenhuma briguinha boba seja capaz de nos separar de quem nós amamos. Apenas o Diogo e o Glauber brindaram.

Foi a vez da Thais: — Que nem uma discussão importante seja tratada como briguinha boba e assim os casais sejam mais felizes. Apenas a Thais e o Dennis brindaram.

O Glauber levantou novamente seu copo e propões: — Um brinde pra quem sabe que evitar uma briga é melhor do que brigar. Novamente apenas o Diogo brindou com ele.

O Dennis logo chamou a atenção pra si — Um brinde a quem tem noção que sem discutir um problema, ele dificilmente vai ser resolvido. De novo só a Thais levantou o copo pra brindar com seu amigo.

A cada brinde os quatro davam um gole na cerveja, eles brindavam na mesma proporção que bebiam, já tinham discutindo sobre tudo, opa, discutido não, brindado e continuavam:

Glauber: —Um brinde pra quem é realista e sabe que cantora pop não faz música pra te emponderar e sim porque tem toda uma pesquisa de mercado pra encontrar uma forma de conquistar publico e dinheiro. Só o Glauber e o Diogo brindaram.

Thais: — Um brinde pra quem sabe que jogador de futebol é apenas um funcionário do time e não alguém que joga por amor ahahaha a camisa. Apenas o Denis e a Thais brindaram.

Diogo: — Um brinde pra quem não é irracional a ponto de brigar com amigas por causa de diva pop. Apenas o Diogo e o Glauber brindaram.

Dennis: — Um brinde pra quem é racional e não briga com amigos por causa de time futebol. Só a Thais e o Denis brindaram.

Thais: — Um brinde a solterice, esse incrível presente de Deus que ganhamos e que nos deixa ser felizes sozinhos e se divertir sem compromisso e também nos deixa livres pra conhecer pessoas novas e mais interessantes do que os que já passaram pelas nossas vidas. Todos brindaram.

#26 A oração, o gol e a revolta

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A disputa em um jogo de futebol começa antes do juiz autoriza o início da partida, começa quando os dois times, já em campo, fazem duas rodinhas, uma de cada lado, pra disputar quem tem a oração mais forte. Enquanto o juiz e os bandeirinhas também fazem o mesmo, mas essa última eu acho que é pra evitar que eles comentam algum erro. Se os juízes brasileiros rezam pra Deus ajuda-los a não erra nos lances dos jogos, levando em consideração o tanto que eles erram, só prova que Deus é brasileiro e como bom amante de futebol, quer mais é que eles se fodam.

 Ao menos essa é a teoria do Caio. Que era um entre vários torcedores que estavam lotando o bar na quarta-feira à noite. Quarta-feira à noite, ou popularmente chamado pelos amantes do esporte mais praticado no mundo: o dia de desligar o cérebro e assistir futebol. A parte de desligar o cérebro explica o porque de tantas brigas nos estádios. Mas para os donos de bar é chamado de “mais um dia pra fatura a custa da alegria ou da decepção aleia.”

A agressividade dos dois times no segundo tempo deixava claro que a primeira parte da partida foi morna porque ambos estavam se estudando.

Enquanto todo mundo quer ver gol’s, os goleiros querem impedir que eles aconteçam. Nesse jogo os goleiros estavam pegando tudo, até garrafa pet na cabeça.

No futebol, em questão de minutos, a esperança por seu time tá atacando bastante e quase fazendo o gol, vira decepção, porque no contra ataque o time adversário consegue um pênalti. Entre deixar o time adversário fazer o gol ou fazer o pênalti pra ter uma pequena chance do atacante erra ou do goleiro defender, a segunda opção sempre é a escolha certa.

A os 45 minutos do segundo tempo o goleiro defendeu o pênalti. Futebol prova que enquanto um grupo de pessoas estão felizes no mundo é sinal que outro grupo de pessoas estão tristes. Como é bom quando esse grupo triste são os torcedores do time adversário.

O Caio feliz voltou a falar: — claro que o jogo vai terminar empatado, os dois times tem o mesmo número de torcedores, logo as orações feitas antes do jogo começa tinham a mesma força.

Enquanto saia da sua boca a última palavra saiu um gol do outro time. Ele ficou sem entender. Resmungou: Como isso é possível? Será que eles rezaram com mais fé e mais forte?

Até que lembrou que o juiz também estava rezando antes do jogo começar: — O juiz torce pro outro time, o juiz rezou pro outro time, juiz filho da puta!

#25 Se sentido gata

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A promessa feita de joelhos – em frente ao vazo sanitário – de nunca mais beber de novo, enquanto vomita, é esquecida quando tá sentando em uma mesa de bar. A maior prova disso é o Adriano, que fez a promessa há uma semana e agora tá pedindo pra eu levar uma cerveja pra ele na mesa 1.

Na mesa 2 estava o Richalyson desabafando com o seu melhor amigo Gilson, no desabafo ele estava comentando como tinha medo de ser preso, porque não estava com condição de pagar a pensão do seu filho, que já estava há quatro meses atrasada. Quem diz que filho não prende homem é porque não conhece um que deixou de pagar pensão alimentícia.

Em cima da mesa três, estava uma poção de batatas fritas já fria, dois copos cheios de cerveja e uma garrafa ainda no meio, tudo já quente. Sentadas nas cadeiras do lado direito estavam a Bruna e a Cris, que tiravam fotos enquanto esperavam a Carina. Se for contar em fotos que as clientes da mesa 3 tiraram enquanto esperavam a atrasada, já havia se passado 39 selfies, 10 fotos editadas no photoshop e com filtros do instagram e duas fotos postadas.

Enquanto eu servindo a mesa quatro, ouvir o seguinte dialogo:

— Por que você tá todo felizinho assim, Bernardo?

— Lembra que eu disse que eu tava namorando? Então, dormir pela primeira vez na casa dela.

— Não acredito. E ai comeu?!
— Claro, Davi. Comi gostoso…
— De frango, de boi?
— De porco também.
— De porco?! Essa é nova pra mim.
— Tu nunca comeu carne de porco?!
— Perai, tu tá falando de quê?!
— Do banquete que ela fez pra mim. Tu achou que eu tava falando de quê?!
— Deixa pra lá.

O bar estava com todas as mesas cheias, quando chegou a Carina. O Adriano falou baixinho pra mim, enquanto servia sua mesa:  — Por essa eu pararia de beber. O Richalyson sussurrou pro Gilson, enquanto olhava pra ela. — Por essa ai eu não atrasaria a pensão, porque nem me separar dela eu ia. Enquanto o Bernado contava, empolgado, o quanto era bom a comida da sua namorada. O Davi, sem tirar os olhos da recém chegada disse: — Deve ser muito gostosa mesmo. Mas ele não falou isso pensando na comida.

A Carina estava se sentindo gata, bem consigo mesmo, mas isso não tinha nada a ver com o fato de ter sido desejada por quase todos do bar, ela já estava acostumada a chamar atenção dos homens e mesmo assim achar que precisava perder alguns quilos pra se achar minimamente bonita. Ela estava se sentindo gata, porque conseguiu fazer o que julgava não ser capaz, deixar na caixinha de areia do passado o bosta do seu ex namorado.

#24 Quando (6 Diálogos no balcão do bar) 

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 —Vou logo dizendo que só aceitei te encontrar aqui porque quero te mandar, pessoalmente, parar de ficar enchendo o saco das minhas amigas pra ter noticias minhas!

— Vamos sentar numa mesa.

— Não! Vou ficar aqui mesmo, não vou demorar.

 — Caçapa, traz uma cerveja e dois copos.

— Não! Traz duas long neck. Não quero dividir nada com esse ai, nem a conta.

— Mas eu ia pagar tudo, Tereza.

— Senhor pode tudo porque tem dinheiro, eu vou tentar deixar bem claro pra você: Eu não preciso do teu dinheiro, tenho o meu! Ouviu, Mario?! Se não, eu posso desenhar no photoshop pra você!

— Tereza, o que eu te fiz pra você começar a me tratar assim do nada? E outra você trocou de número? Eu te mandei uma mensagem no whatsapp, mas só apareceu um tracinho mostrando que a mensagem não foi, e nem aparece mais sua foto de perfil.

— Te bloqueei.

— Por quê?

— Porque lá tem essa opção.

— O que te fiz pra você me tratar assim, Tereza? Eu te convidei aqui pra conversar, pra tentar entender o que tá acontecendo.

— Tu sabe muito bem o que tu fez.

— Não, Tereza, eu não sei. Só sei que a gente tava se dando bem até você começar a me evitar e me bloquear no whatsapp.

— Não vem com essa, tu sabe muito bem do que fez. Cara, eu tava muito a fim de você e você foi super babaca comigo, como um bom playboyzinho que você é.

— Desculpas, “senhora sou da periferia”. Mas eu não tenho culpa de nascer em uma família que tem dinheiro.

— Quantos apelidos você já me deu? Esse já é o segundo, o primeiro foi puta, lembrar?

— Quando eu disse isso?

— Tá com amnesia, “playboy que gosta de ir em bar de pobre?!” Esqueceu da sua mensagem perguntando quanto eu ia te dar uma chance. Quanto?! Quanto?! Você tá achando que eu sou o quê?! Se isso não é me chamar de puta o que é, seu porco!

— Foi o corretor ortográfico, eu quis mandar quando.

#23 Opiniões lixo 

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Cinco horas da tarde de um sábado quente, que em São Luis significa um dia como outro qualquer. O Vilson estava bebendo na parte da frente do bar sozinho até que chegou o Wesley, seu convidado e irmão mais velho da sua nova namorada, que ele convidou para tentar impressioná-lo, pois sua amada disse que pra ela seria muito importante a aprovação dele.

 O Vilson tirou sua bolsa de costa que estava na cadeira que ficava a sua frente e colocou na que estava ao seu lado, pra que assim o irmão da sua namorada sentasse de frente pra ele. Ele estava preparado para falar sobre vários assuntos sérios, tipo, legalização do aborto, das drogas, casamento gay, política, corrupção, modernidade líquida, a playboy sem foto de mulher pelada…

Só não estava pronto pra aturar alguém sem conhecimento algum e que todos os argumentos são baseados em achismos e pouca informação que obteve através das redes sociais. Depois de ouvir com muita atenção o ponto de vista pífio sobre a legalização das drogas. O Vilson tentou mostrar o que acha sobre o assunto, mas foi interrompido pelo ignorante que achava que falar mais alto é uma forma de mostrar o quanto esta certo o seu ponto de vista.

A interrupção se repetiu varias vezes enquanto ele tentava refuta os argumentos do cunhado em relação aos assuntos que ele colocava na roda, até que ele desistiu e a única coisa que fazia a cada nova opinião dada era toma um copo cheio de cerveja pra empurrar garganta a baixo todas as palavras que queriam sair da sua boca — fez isso pensando na namorada.

O namorado da irmã ficar calado ouvindo ele falar, o fez imaginar que o seu cunhado estava interessado em ouvir-lo dizer o que pensava sobre várias coisas e com isso ele fez questão de mostrar que tinha uma opinião desenformada sobre vários assuntos.

 De acordo com a universidade federal de SP, cada brasileiro produz em média 1 quilo de lixo por dia. Se for fazer a pesquisa incluindo as opiniões dele, o Wesley ficaria bem a cima dessa média. Ainda mais porque a cada vez que ele abria a boca pra falar sobre um assunto novo, mais lixo saia.

E o Vilson deixou a cerveja de lado e pediu um copo cheio de vodca, depois pediu um de tequila, logo em seguida cachaça, não uma dose, um copo cheio e por fim whisky. Por incrível que pareça estava dando certo, o irmão da sua namorada estava gostando muito dele, porque ele o ouvia com muita atenção.

Até que o Vilson, já embriagado e com o foda-se ligado, tirou da sua bolsa um caderno e uma caneta e pediu pro cunhado escrever todas as opiniões que ele tinha dado a noite inteira, porque no bar tem o único lugar possível onde aquelas opiniões devem ficar —  Ele usou exatamente essa frase.

Foi ao banheiro, enquanto mijava, tentou escrever uma mensagem pra sua namorada, mas como estava com a visão turva, só conseguiu mandar um áudio dizendo “espero que lembre que te amo.”

Saiu do banheiro e foi direto a mesa e viu o seu convidado empolgado e já acabando de escrever a segunda pagina. Se sentou no mesmo lugar de antes e com muita satisfação e paciência esperou o homem que tem a solução pra todos os problemas do mundo acabar de escrever. O Wesley escreveu seis paginas e entregou pro Vilson, que pegou as folhas, veio em minha direção, pagou a conta e ainda deu dez reais a mais, falou baixinho com a intenção de apenas eu ouvir:  — Assim que nós dois sairmos, jogue essas folhas no lixo.

#22 O animal


Passou a vida quase toda sendo chamado de bicho preguiça pela mãe, porque quando ela o mandava fazer algo, ele dizia que já estava ocupado testando se o sofá realmente não deixava de ficar confortável mesmo com o passar dos tempos, como prometeu o vendedor. E a TV ligada era porque leu uma vez que não é bom deixar os eletrodomésticos ficarem muito tempo desligados se não eles dão problemas. Sendo assim, a mãe dele tinha que ficar feliz por ter um filho tão útil e prestativo. 

Do ensino fundamental até o ensino médio foi muitas vezes chamando de burro. Se você nunca foi chamado de burro por ter feito ou deixado de fazer algo que não tem nada a ver com falta de inteligência na escola, você realmente frequentou a escola? Na aula de educação física, quando errava um passe ou um gol na cara, ouvia em unísolo “viado”.

Aos 17 anos, quando começou a frequentar academia, teve que aturar ser chamado de frango. E como em bolsa de maromba tem espaço pra vários suplementos, uma marmita com batata doce e ovo cozido, foto do Arnold Schwarzenegger, mas não tem espaço pra colocar o desodorante, por muitos vezes foi chamando de gambá quando voltava de ônibus depois de fazer musculação. 

Na academia conheceu a Marcela, que só chamava o de gatinho e isso fez ele criar esperança em ter algo com ela. Começaram a namorar e por muitas vezes foi chamado de cachorro, mas no fim dessas discussões sua namorada sempre acabava satisfeita na cama e chamando ele de meu touro. O Cristian se sentia o cara quando ela o chamava assim. Até hoje, quando veio beber com o Neto, e o seu amigo mostrou uma foto a ele na qual fez ter certeza que quando a Marcela chama ele de touro, ela não estava se referindo ao seu desempenho na cama.

#21 Primeira impressão (5 diálogos no balcão do bar)

— O que te aconteceu pra vc tá tão calado?

— Uma parada ai, bicho. 

— Pode ficar à vontade pra falar, cara.

— É parada minha.

— Rapá, tu tá falando com um amigo, pode ficar tranquilo.

— É que eu conheci os pais da minha namorada, acho que nao deixei uma boa impressão.

— hahaha. Porra, é isso?! Pensei que era algo grave. Tipo meu caso que me apaixonei por uma travesti e não sei como apresentar ela pros meus pais que, como tu sabe, são evangélicos.

  — O quê?

— O quê, o quê?

— O que tu disse.

— Que eu tô apaixonado? 

— Não o que tu disse depois.

— Que meus pais são evangélicos.

— Não, antes.

— Ah, sim. Não sei como apresentar pros meus pais. É isso que você não entendeu direito?

— Não, mas deixa pra lá.

— Mas sim, cara. Fica tranquilo, a primeira vez que você fala com os pais da sua mina é sempre estranho mesmo. O único cara que não passou por esse momento constrangedor foi o Adão.

— Eu nunca mais vou conseguir olhar nos olhos deles.

— Rodrigo, relaxa, com o tempo você mostra que é un cara legal, eles vão esquecer essa primeira impressão que tu acha que foi negativa.

— haha que eu acho?! hahaha. Cara, eu tava com a minha mina na sala da casa dela, os pais dela chegaram de supresa e pegaram ela fazendo um boquete em mim, com a minha porra ainda na boca, pra tentar deixar aquilo tudo menos constrangedor, ela disse, enquanto eu ainda tava sentando no sofá com o pau pra fora, “esse é o Marcos, meu namorado, país.”

#20 Controle universal


O Vargner dizia pra todos que mulher de amigo dele pra ele é homem, só não contava pra quase ninguém que era bissexual.

Ele estava distraído assistindo na TV do bar a segunda edição do jornal local dizendo que houve um aumento nos últimos anos no número de violência na capital maranhese, enquanto acabava de beber sua cerveja pra tentar se refrescar na quarta-feira quente, o Cleiton chegou e deu um soco nele.

Essa revolta, só agora, comprova a teoria que o corno é sempre o último a saber.

 O Vargner se levantou e chamou o antes amigo e agora rival pra rua, pois não queria dar prejuízo pra mim, mas já era tarde, porque o soco derrubou o Vargner que junto com ele caiu o controle da TV que estava em cima do balcão e quebrou.

Enquanto estavam indo em direção a rua, chegou os PM’s que vieram pegar o que eu chamo de “incentivo pra eles trabalharem com mais dedicação e assim o bar fica seguro,”. Por isso os brigões foram um pra cada lado, o Cleiton feliz pelo soco e o Vargner se vangloriando por muitas vezes ter gozado de tarde na boca que o Cleiton beijava quando chegava do trabalho a noite.

Aproveitei que no dia seguinte ia à feira do João Paulo fazer algumas compras pra adquirir logo um controle novo. O vendedor ambulante me mostrou vários, entre eles um universal que fez eu me lembrar da minha pré adolescência.

 Quando voltava da escola eu saia desligado a TV de todos que moravam no caminho entre a escola que frequentava e a minha casa, só pra testar se o controle era realmente universal, até que um dia eu desliguei a televisão de um cara que estava assistindo um programa que ensinava como lidar com a raiva, ele quebrou o controle na minha cara, nesse dia eu tive a prova que o controle era realmente universal, tão universal que até me desligou por algumas horas e por isso meu pai nunca mais comprou outro igual lá pra casa. Levando pela nostalgia comprei o controle mesmo ele sendo mais caro.

Depois de já ter aberto o bar, eu fui testar-lo, ele não funcionou, troquei as pilhas e nada. Levado pela dica que pode ser tudo resolvido com sutileza, sutilmente dei uns socos fortes nele, e essa foi mais uma tentativa fracassada. Deixei ele de lado. Liguei a TV do jeito que meus antepassados faziam, indo até ela e apertando no botão de ligar.

Comecei a receber os clientes e acabei esquecendo o controle em cima do balcão de novo. Um cliente veio pagar e como eu estava com as mãos ocupadas, pois estava preparando um hambúrguer, pedir pra ele deixar o dinheiro de baixo do controle. 

A esposa de um cliente queria assistir a novela, ele me perguntou se poderia trocar de canal e eu permiti. O marido da noveleira pegou o controle com o dinheiro e tudo e conseguiu usa-lo. Fiquei surpreso, e assim que acabei de preparar o pedido da cliente, eu fiz o mesmo que o cliente fez. Peguei o controle com o dinheiro enrolado nele e ele funcionou novamente. Fiquei alguns minutos abismado com a falta de explicação lógica pra aquilo, até que cheguei a conclusão óbvia: o controle é universal, logo só funciona em prol do dízimo.