Diálogos no balcão do bar

#41 No viva voz para todos ouvirem que perdeu a mulher que ama (9 Diálogos no balcão do bar)

-Alô?

-Alô!

-Paula sou eu, Messias.

-Eu sei.

-Viu? nós ainda estamos tão ligados um no outro que basta tu ouvir minha voz pra saber quem é.

-Na verdade é porque eu tenho seu número gravado e meu celular avisa quem liga. Mas me diz logo o que você quer?

-Tu sabe muito bem o que eu quero.

-Não, eu não sei. Tchau, tenho prova pra elaborar.

-Não desliga, por favor, não desliga. Ouvir sua voz foi uma das poucas felicidades que me restaram.

-Eu não quero saber! Liga pra aquela putinha que você gastou todo o dinheiro do teu FGTS com ela.

-Você vai me condenar pelo resto da vida por causa disso?

-Espera aí, você tá falando comigo com o viva voz ligado?!

-Sim, porque quero que todos do bar saibam que eu te amo, meu amor.

-Eu te amo, meu amor é pleonasmo!

(TUM… TUM… TUM…)​

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#38 Uma triste história de poliamor (8 DIÁLOGOS NO BALCÃO DO BAR)

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 — Tava assistindo um programa outro dia, onde a apresentadora, uma baita de uma gostosa, tava falando sobre relacionamento. Ai começaram a falar de um tal de poliamor, só de ouvir o nome logo pensei: “deve ser alguém que tem tesão por essas mulheres que se esfregam no pole dance”. Mas pior que não. É um tal de relacionamento a três, ai pensei: “porra, eu tenho esse negocio aí de poliamor. Eu, minha mulher e minha amante.” Ai a apresentadora explicou que os três são ciente do relacionamento. Ai pensei: “minha mulher não sabe, então não é poliamor”. Até ai eu tava achando que era tipo ânus.
— como assim tipo ânus?
— Ânus não é um nome bonitinho pra cu? Eu achei que poliamor era um nome moderninho pra traição. Mas os três sabem, um relacionamento com três, ou mais pessoas, só isso.
— Agora eu fiquei curioso, o que mais falou nesse programa ai, Paulo Victor?
— Eu não sei, minha mulher veio começar uma discussão comigo. Taynisson, eu já desistir, joguei a toalha!
— Vai deixar a mulher mandar em ti?!
— Joguei a toalha molhada em cima da cama. Hahahah

 — hahaha. É isso aí, tem que mostrar quem manda.
— Mas na real, meu casamento tá aquele tipo de relacionamento que tem tanta discussão, as discussões são tão presentes que tô até começando a achar que tô vivendo mesmo um poliamor, eu, minha mulher e a discussão. E o pior, às vezes, eu acho que ela sente mais prazer com a discussão do que comigo na cama.

#28 comemoração (7 diálogos no balcão do bar)

do bar

— E ai cara.
— Fala, Renan, quanto tempo, cara.

— Tá sentando em frente ao balcão por quê? Tem tanta mesa sobrando.

— É porque quanto mais perto do balcão mais rápido a cerveja vem.

— Blz, me convenceu.

— E ai, como tá as coisas?

— Consegui um emprego, não é lá essas coisas, mas da pra me sustenta. E você?

— Mesma coisa de sempre, ainda tô trabalhando de motoboy, a Vânia de professora, o bolsa família ajuda a pagar algumas coisinhas e a nossa filha só crescendo. E puxou pra mãe.

— Então é bonita.

— E também consegue me fazer abrir a carteira fácil, fácil.

— Hahahahah. Então puxou pra mãe mesmo.

— Ei, tu sabe que sendo motoboy eu ando essa ilha todo e acabo vendo coisas.

— Claro que sei, Mateus.

— Outro dia eu ti vi entrando com uma deusa no motel. Era um filé. Cara, você tá bem alimentado.

— Eu fui comemorar que tinha conseguido um emprego novo com ela.

— Ela trabalha com você lá?

— Não, ela é garota de programa.

— Que massa! Ela trabalha em qual emissora?

#24 Quando (6 Diálogos no balcão do bar) 

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 —Vou logo dizendo que só aceitei te encontrar aqui porque quero te mandar, pessoalmente, parar de ficar enchendo o saco das minhas amigas pra ter noticias minhas!

— Vamos sentar numa mesa.

— Não! Vou ficar aqui mesmo, não vou demorar.

 — Caçapa, traz uma cerveja e dois copos.

— Não! Traz duas long neck. Não quero dividir nada com esse ai, nem a conta.

— Mas eu ia pagar tudo, Tereza.

— Senhor pode tudo porque tem dinheiro, eu vou tentar deixar bem claro pra você: Eu não preciso do teu dinheiro, tenho o meu! Ouviu, Mario?! Se não, eu posso desenhar no photoshop pra você!

— Tereza, o que eu te fiz pra você começar a me tratar assim do nada? E outra você trocou de número? Eu te mandei uma mensagem no whatsapp, mas só apareceu um tracinho mostrando que a mensagem não foi, e nem aparece mais sua foto de perfil.

— Te bloqueei.

— Por quê?

— Porque lá tem essa opção.

— O que te fiz pra você me tratar assim, Tereza? Eu te convidei aqui pra conversar, pra tentar entender o que tá acontecendo.

— Tu sabe muito bem o que tu fez.

— Não, Tereza, eu não sei. Só sei que a gente tava se dando bem até você começar a me evitar e me bloquear no whatsapp.

— Não vem com essa, tu sabe muito bem do que fez. Cara, eu tava muito a fim de você e você foi super babaca comigo, como um bom playboyzinho que você é.

— Desculpas, “senhora sou da periferia”. Mas eu não tenho culpa de nascer em uma família que tem dinheiro.

— Quantos apelidos você já me deu? Esse já é o segundo, o primeiro foi puta, lembrar?

— Quando eu disse isso?

— Tá com amnesia, “playboy que gosta de ir em bar de pobre?!” Esqueceu da sua mensagem perguntando quanto eu ia te dar uma chance. Quanto?! Quanto?! Você tá achando que eu sou o quê?! Se isso não é me chamar de puta o que é, seu porco!

— Foi o corretor ortográfico, eu quis mandar quando.

#18 Traição (4 diálogos no balcão do bar)

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-E ai Marcelo, senta ai. Caçapa, traz um copo pra ele.

-Não quero beber não, ainda mais contigo.

-O que eu fiz, cara?

-Como assim o que tu fez, Roberto? Tu sabe muito bem das suas atitudes, traíra.

.
-Eu tô falando sério, não faço a mínima ideia do que você ta falando.

-O que foi? A sua traição vergonhosa fez você esquecer das coisas?

-Como você descobriu isso?

-Você tá preocupado com a coisa errada, se preocupe em como tá queimado seu filme. O que tu fez é até pecado.

-Porra, Marcelo, tu tem que entender meu lado. A gente sempre foi parceiro. A Bruna, cara, aparentemente, perdeu o tesão por mim. Ai apareceu essa estagiária lá no trabalho, 19 aninhos, passou dos 15 até os 17 apenas fazendo sexo oral e anal, pois queria casar virgem. Aos 18 anos teve uma desilusão amorosa e por isso quis descobrir todos os prazeres do sexo. Eu sei que traição é pecado e que Deus diz pra não se deixar cair em tentação, mas, porra, uma tentação dessa era impossível resistir. Entende o meu lado, cara.

-Não vem com esse papo pro meu lado, Roberto. Aqui no Brasil ninguém liga se você trai sua mulher, até eu traio a minha, mas uma coisa que não se perdoa aqui é gente que troca de time de futebol, seu merda. Relacionamento com time de futebol é coisa séria, tem que ter fidelidade e durar do dia que você escolheu seu time até a sua morte.

#15 A missão (3 Diálogos no balcão do bar)

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Imagem retirada do blog LIQUIDIFICORDEL

— Ei, cara, tu não foi na pelada por quê?

 — Tinha uma missão pra fazer.

— Uma missão tipo coisa de trabalho. Ou uma “missão”?

— Uma “missão”

— Ah e moleque, se deu bem. Caçapa, traz mais uma que essa eu pago!

— Quem dera, me dei foi mal .

— Não acredito, falhou na missão? Se tu fosse do Bope, tu seria o zero a esquerda. Bicho, não dá pra te elogiar.

— A missão era complicada. A polda me mandou uma mensagem dizendo que queria brincar de médico, ai fui lá na casa dela todo animado.

— Chegando lá ela não conseguiu reanimar o morto que tu teu ai, né? Hahah

— Não, caralho. Cheguei lá ela tava tão louca pra brincar de médico que ela tava de jaleco e tudo. lá descobrir…

— Que tu é um zero a esquerda e não tem capacidade de completar a missão.

 — Deixa eu acabar de falar, porra. Chegando lá descobrir que ela ia ser a médica e eu o paciente que ia fazer exame de próstata.

#11Não faz sentido (2 Diálogos no balcão)

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-Minha namorada tá grávida e a culpa é
sua!

-Eu transei alguma vez com ela?

-Não… eu acho que não, né. Mas não é isso que eu tô querendo dizer.

-O que é que você tá querendo dizer então!

-Se você não tivesse me convencido a ir naquela festa, me dado vinho e ter me convencido a ficar com a Vanessa, porque tu queria pegar a prima dela, eu não teria engravidado a Vanessa.

-Cara, isso faz dois anos.

-É! faz dois anos que tu destruiu meu futuro.

-Ah, é? Então culpa minha mãe também, pois ela aceitou transar sem camisinha com o meu pai e eu acabei nascendo, ou melhor, culpa o meu pai que poderia ter usado camisinha, porém preferiu no pêlo mesmo, ou você pode culpar meus avós que já tinham 18 filhos e não tinham porque ter meu pai, que nasceu e depois de duas décadas engravidou minha mãe. Se passou vários anos e eu te conheci, ai depois de alguns anos de amizade, te levei naquela festa onde tu conheceu a Vanessa e agora, depois de dois anos tu engravidou ela. Tudo culpa de toda a minha árvore genealógica.

-Isso não faz sentido.

-Tu começou falando coisa  que não faz sentido eu só entrei na brincadeira.

#3 Consideração (#1 Diálogo no balcão do bar.)

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-Cara, pode contar comigo, tenho experiência em levar pé na bunda.
-Obrigado. É muito bom saber que em uma hora dessas tenho amigo pra desabafar.
-Enquanto tu pagar a cerveja o que não vai faltar é amigo pra desabafar.
-E por isso que gosto de você, sempre faz piada pra tentar me animar.
-Amigo é pra isso.
-Mas sabe o que me deixa mais puto?
-O quê?
-Não é nem o pé na bunda. O que me deixa puto é ela ter dito que como tem consideração comigo não quis terminar pelo telefone, que preferiu terminar falando olhando nos meus olhos, pra eu vê que ela também tá sofrendo.
-Puto por quê? Ela ao menos teve consideração com você
-Consideração?! Ela terminou comigo via Skype