Carlos

#42 Viver em sociedade e manter a fé na humanidade, será que é possível?

cropped-bardogomes_50x31.jpg

Imagem retirada do blog LIQUIDIFICORDEL

Precisamos falar sobre a falta de fé na humanidade, mas primeiro, acho que precisamos falar sobre essa mania facebookeana de começar um texto sobre algum tema sério com “precisamos falar sobre”. Sério?! Será que não tem nem uma outra frase de efeito pra começar o seu texto?

 —  Viver em sociedade e manter a fé na humanidade, será que é possível? —  Isso foi o que pensei logo após o Carlos me contar algo que aconteceu no seu meio de semana.

Como era um sábado e o bar estava lotado e eu estava atendendo sozinho, o que era pra ser um diálogo acabou virando um monólogo. E enquanto eu servia, ele aproveitava pra beber e quando eu voltava ele continua a história, a mesma que tá logo a baixo sem pausas:

 — Vi um motoqueiro entrando numa loja e deixando a chave da moto dele na ignição, logo pensei, isso que é confiar no próximo, o resto é balela. Me deu até uma animação saber que ainda têm pessoas que confiam na humanidade. Eu não me orgulho, mas não confio mais em quase ninguém, imagina em pessoas estranhas que tão passando no centro num sol quente e, eu sei muito bem, que nem todos tem dinheiro pra passagem de ônibus. Mas vendo aquele exemplo ao vivo, fiquei decidido a mudar essa falta de confiança no resto da humanidade.

Caçapa, sei que você tá muito ocupado, mas tenta seguir meu raciocínio: Os muçulmanos acreditam que uma espécie de cavalo alado transportou o profeta Maomé de Meca até Jerusalém numa noite. Os cristãos acreditam que um homem, nascido de uma virgem, voltou à vida três dias depois de ter morrido. Ou seja, tem tanta crença fora da realidade que não é tão absurdo assim confiar no próximo. Eu fiquei disposto a fazer isso até que o motoqueiro saiu de lá correndo, ligou a moto e saiu a mil, e em poucos segundos apareceu o dono da loja gritando: “PEGA LADRÃO, PEGA LADRÃO!”

#33 Fé e poliamor

bar2_30x30

Imagem tirada do blog LIQUIDIFICORDEL

No sábado, como de costume, o Carlos chegou no bar. O bar estava meio cheio, sou otimista. Ele pegou uma cerveja, sentou em um dos bancos que ficam perto do balcão e começou a me contar algo que ele julgou interessante: — Essa semana um aluno meu, do cursinho, fez uma declaração de amor pra sua namorada na sala de aula.

 — Esses molequem fazem de tudo para atrapalhar a aula, hein” —  comentei

 Ele deu um gole na cerveja e voltou a falar: — Ah, o mais engraçado é que antes dessa declaração de amor na sala, ele já tinha feito uma virtualmente, no texto ele descrevia quanto amava ela, por ela sempre está do lado dele e como ela fez ele feliz em todo esse tempo de namoro. Até então eles tinham apenas 24 horas de relacionamento. Aí agora, que já estão namorando há um tempo bem maior, o apaixonado achou que sua amada merecia algo mais romântico que uma declaração virtual, com isso fez a declaração na sala de aula. Pois duas semanas de namorar merecer algo mais especial do que um textão do Facebook; um textão tão grande que a felicitada colocou o Google tradutor pra ler pra ela.

O Carlos me mostrou o vídeo da declaração. A geração Z  não faz nada sem ter que gravar e jogar na Internet, pois não vale a pena fazer algo que não vá fazer você ganhar likes.

O Carlos pediu para eu prestar atenção na última frase que ele disse para ela, até repetiu a frase pra eu memorizar:”Muito feliz com o nosso relacionamento que envolve: Eu, você e Deus”
E depois de repetir essa parte do vídeo três vezes o Carlos falou: — Os cristãos também são adeptos ao poliamor. Que surpresa!

#14 Assaltos

cropped-bardogomes_50x31.jpg

Imagem retirada do blog LIQUIDIFICORDEL

O assaltante rouba  o celular e vende pra outra pessoa, essa pessoa que comprou é assaltada. Esse assaltante vende pra outra pessoa… É um circulo e os únicos que lucram com isso são os assaltantes.

O ser humano é cômico, pois na maioria das vezes, os mesmos que reclamam do aumento constante do número de assaltos são os mesmos que compram coisas roubas na mão de gatunos. As pessoas tem que entender que só há oferta se tiver demanda.

Levando em consideração o número de assaltos, andar com celular na rua já poderia ser considerado um esporte radical. Descendo a rua, onde fica o bar, o Léo, que em vez em quando vem ao bar, foi assaltado, levaram o seu celular.

-Andar na rua com o celular é assim: você sabe que vai ser assaltado, só não sabe em qual esquina. — eu comentei

O Carlos estava aqui como de costume, pois era sábado e disse: —  realmente, ultimamente tá muito perigoso.

— Por isso que quando vou sair pra qualquer lugar, quando possível, não ando com nada.

— Mas andar com nada é pior, não acha? – Replicou o Carlos.

— É… realmente, tem o risco de ser assassinado por não ter nada pra passar por meliante.

-Ou acontecer algo pior!

-Como assim algo pior do que perder a vida?! – perguntei

-O marginal já sai de casa disposto a tirar algo valioso da vítima que aparecer dando bobeira por uma rua deserta. Aí você não tem nada pra dar; nem celular, dinheiro, nada de valor pra oferecer, porém ele não vai aceitar não roubar nada de você, ele não vai conseguir dormir à noite sabendo que não teve um dia produtivo no seu ramo de tomar coisas valiosas das pessoas. Por isso, acaba tirando a sua virgindade anal só pra conseguir dormir tranquilo à noite. Por causa disso que sempre ando com algo valioso pra caso alguém tentar me assaltar, pois é possível comprar um celular novo, relógio; trabalhando é possível recuperar o dinheiro, agora a sua honra e a sua virgindade anal… – disse o Carlos, bebendo o resto da sua cerveja e se despendido, pois tinha com ele apenas o dinheiro da cerveja.

#12 Testemunhas de Jeová (1)

ARLObelmont_33x33

Quando estava quase fechando o bar o Carlos chegou. Ele mora do lado esquerdo do bar, é branco e tem um estilo jovial de se vestir, usa camisas de séries, calças coloridas e óculos de grau com armação de aviador. Ele dá aula em cursinho e todo sábado, fim de noite, ele aparece aqui no bar e conta algo que aconteceu do seu dia ou na sua semana. Ele começou a me considerar  amigo no dia que eu aceitei que ele bebesse fiado, esse sentimento de amizade se tornou reciproco quando ele pagou no dia que prometeu que pagaria essa divida.

 Nesse dia ele falou que no domingo passado bateu a sua porta duas testemunhas de Jeová e ele falou o que acha deles: “Eu acho a atitude das testemunhas de Jeová algo louvável, pois eles descobriram o caminha da salvação divina, as palavras que te levam até essa caminho, o livro sagrado onde te mostra o que você deve fazer pra não chegar no fim desse caminho e descobrir que não vai pro paraíso divino, tudo isso na concepção deles, é claro… Parou de falar por alguns segundos, tempo que levou para beber o resto da cerveja que tinha no copo, e enquanto enchia o copo novamente continuou a falar: “Eles saem das suas casas bem cedo no fim de semana; todo mundo trabalha, não é porque eles acham que encontraram o caminho da salvação divina que eles não vão trabalhar, logo, eles deixam de descansar no final de semana para ir em casa, em casa pra levar a palavra  e a forma de ser salvo e ter uma vida melhor antes e depois da morte. Eu acho essa iniciativa muito louvável, mas sabe o que eu acho mais louvável? Dormir sem ser incomodado!”