Bar do Caçapa

#53 Uma conversa tão boa que encheu a cara pra ter amnesia alcoólica e esquecê-la.

 

Beber com uma pessoa que realmente domina o assunto que se propõe a falar sobre prende tanto sua atenção que você só percebe que já passou bastante tempo só conversando porque quando vai dar o primeiro gole na cerveja ela já tá quente, a mesma que foi levada até sua mesa, como um cliente do bar gosta de falar: mais gelada do que coração do chefe após descobrir que você acostumou seu corpo a cagar no banheiro do trabalho no horário do expediente para não desperdiçar seu tempo livre cagando em casa.

Segundo Tom Standage é antiga a noção de que as bebidas, principalmente as alcoólicas, têm propriedades sobrenaturais. Para os bebedores neoliticos, a capacidade da cerveja de embriagar e induzir a um estado de consciência alterada parecia algo mágico. A conclusão comum óbvia era que a cerveja era um presente dos deuses.
Na época em que vivemos, que segundo Bauman podemos chamar de modernidade liquida, se você perguntar pra algumas pessoas o que elas entendem por amor liquido, muitas vão responder que é o que elas sentem a cada gole que toma de cerveja após um dia cansativo de trabalho.

O Diogo seria uma dessas pessoas e pra ele a cerveja é o melhor presente dos deuses e por isso que não gosta de beber com gente muito interessante, pois não consegue moderar e se manter sóbrio o suficiente pra prestar atenção em tudo o que tá sendo dito e devido a isso prefere abir mão do chopp pra apenas ouvir, pois bar e cerveja tem em toda esquina, agora alguém que realmente entende o minimo do assunto que se dispõe a comentar…

Ele estava no bar bebendo quando chegou um conhecido e sentou do seu lado puxando assunto, o recém chegado falou sobre tudo, enquanto ouvia o Diogo não parava de beber, bebeu tanto que quando foi embora, caiu assim que saiu do bar e fraturou o quinto metatarso do pé direito.

Se é caindo que se aprende, naquele dia ele aprendeu bastante de anatomia.

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#52 Nem sua comida é capaz de fazer eu desistir de você

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Só depois de quatro meses de relacionamento que ele foi pela primeira vez provar a comida dela na casa onde ela mora só com o seu namorado, não, eles não são um casal moderno adeptos do poliamor, o namorado em questão é o nome do gato da anfitriã. Quando ele foi apresentar sua nova namorada para a família em um almoço de domingo com todos os membros reunidos à mesa, e ela disse que mora só com o seu namorado, ela foi interrompida e todos ouviram do avô, que já tá naquele idade que sabe que pode falar o que quiser que ninguém vai quebrar a cara dele por respeito: “dois namorado?! Tu é gulosa, hein, minha filha!”. Ela se explicou e todos trataram de esquecer do constrangimento que o comentário causou.

Como era a primeira vez que o seu namorado vinha comer em sua casa, ela se esforçou bastante para fazer o melhor jantar possível, pois sabia que ele era tão chato pra comer que só não é crítico gastronômico profissional porque não recebe pelas críticas que faz.

Enquanto eles estavam jantando, ela percebeu que o cara que tanto tentava impressionar não tinha talento só para crítico gastronômico, tinha também para ator, pois fingiu que estava gostando da sua comida.

 Enquanto a dona da casa estava começando a lavar a louça e o visitante percebeu que ela iria começar a perguntar o que ele tinha achado da comida, ele abraçou ela por trás, enrolou o cabelo dela em sua mão e começou a beijar o pescoço dela, logo após os primeiros gemidos ele começou a masturba-la, depois foi beijando a costa da sua namorada, levantou a saia que ela estava usando, colocou a calcinha por lado e começou um beijo grego, a única coisa que não fez foi beijar-la na boca, pois a boca dela ainda estava com o gosto da comida.

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Esse último paragrafo do texto “Nem sua comida é capaz de fazer eu desistir de você” foi o suficiente pra a Tayna esbravejar com o Marco aqui no bar: — Deixa eu ver se entendi, duas semanas atrás você comeu minha comida pela primeira vez e agora me mostra esse seu novo texto sobre um casal onde a personagem cozinha tão mal que o namorado prefere sentir o sabor do, olhou em volta, viu que o bar estava cheio e revresol não citar o que se tratava, mas prosseguiu brigando com o namorado, depois se levantou e foi embora sem dá ouvidos para as explicações do escritor. Eu que prestei atenção em toda a trama fiquei com uma certeza, que o próximo texto do Marco será sobre fim de relacionamento.

#51 ISSO É MUITO BLACK MIRROR

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Ele estava se sentindo ótimo, se sentindo homem, sentindo que tinha dado o melhor de si, a mulher ao seu lado satisfeita era a prova disso.
Não era a primeira vez que eles estavam juntos e nem a primeira vez deles naquela motel, porém foi a primeira vez que ele conseguiu dá um perdido pra se encontrar com ela naquele mês. Por isso a vontade era grande, por isso ele não se apresentou, deu um show, um show tão bom que ela estava esperando ele se recuperar pra poder ter bis.

Enquanto ele estava se recuperando o seu celular vibrou, desbloqueou o celular e viu que a mensagem era de um número que ele não conhecia e muito menos estava gravado em sua agenda de contatos. Abriu a mensagem e tomou um susto com o que leu. Na mensagem, alguém estava dizendo que tinha fotos íntimas que interessava a ele, estava cobrando um valor alto se não jogaria tudo na internet.

No fim do intervalo, o tesão foi substituído pela preocupação. O Flávio, não conseguindo esconder o nervosismo, mostrou a mensagem para a Mikaelly, vendo que ela ficou pálida, acalmou-a quando disse que iria pagar pelo cartão de memória que estava salvo as fotos. Mas não foi pensando nela que ia desembolsar aquele dinheiro.

Estava pensando na sua namorada, lembrando o quanto gosta dela, estava se sentindo tolo por ter feito aqui com sua amada, mas o desejo da carne foi mais forte. O Flávio respeitava o fato dela ser muito religiosa e te escolhido esperar, porém ele não fez essa escolha, e a variação de pornografia na internet com um tempo perde a graça, por um tempo até se masturbar com a mão esquerda deixou de ser novidade e algo prazeroso.

Marcou o encontro com o “grande filho da puta” aqui no bar, como o Flávio não sábia o nome do cara, ele resolveu nomeá-lo assim. Ele nem sabia se era um cara, só imaginou. Marcou aqui no bar, pois depois de pegar o cartão de memória com as fotos ele ficaria logo aqui pra comemorar o não fim do seu namorado.

Junto com a chuva chegou um cara magrelo que não escondia que estava procurando alguém, até que viu o Flavio, olhou pro celular onde tinha uma foto com o rosto de quem ele tinha que encontrar, o reconheceu e foi na direção dele. Se sentou na mesa e foi logo dizendo: — Eles querem que você deposite o dinheiro nessa conta, mostrou uma mensagem que tinha recebido no seu smartphone, e o Flavio logo perguntou: — Eles quem? E a resposta o assustou: os hackers. — Que porra de hackers, filho da puta?

O recém chegado, falando rápido e gaguejando, explicou que há um grupo de hackers que estão invadindo os arquivos de celulares ou computadores e pegando algo constrangedor que possa usar isso como chantagem para que as pessoas façam tudo que eles querem, ou paguem algum valor pelo arquivo, como estava desempregado só restou a ele a primeira opção e devido a isso ele esta aqui. O Flavio perguntou varias vezes como eles conseguem fazer aquilo e o “grande filho da puta” não soube explicar. Assim que o Flavio fez a transferência do dinheiro chegou em seu celular uma mensagem com o código para abrir os arquivos, a senha era “1adultério1”. O seu primeiro impulso foi começar a abrir o celular para colocar o cartão de memoria, o fez e logo apos religar o celular abriu a galeria e foi direto para as fotos, primeira foto um casal nu, porém tava tão embasada que não dava pra ver quem era, segunda foto mesmo jeito, lá pra quinta foto, das 20 que tinha no cartão de memória, que ele viu sua namorada se beijado com um cara negro, o Flávio é branco.

#50 O constrangimento sexual chamado Jesus

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Tem aquele lugar onde as pessoas começam a frequentar quando estão angustiadas com os seus trabalhos, com suas vidas amorosas, com os rumos que as suas vidas estão levando e lá elas se sentem melhores. Esse lugar na maioria das vezes é o bar, mas também tem gente que nesses momentos vão em templos religiosos.

 Fui à igreja com o guilherme, ele estava saindo com uma morena, que adora que ele chame o nome dela enquanto elogia o seu boquete, quanto mais ele elogia, melhor ficava o bolagato, você pode está se perguntando, então vocês foram lá por que ele queria agradecer a Deus por ele ter colocado essa mulher na vida dele? Mas o motivo de nós estávamos na casa do senhor era o contrario disso, estávamos lá apenas para pedir perdão porque o nome da mulher era Jesus.

 Antes de registar a criança com o nome de jesus, os pais tem que pensar, essa criança vai crescer, vai transar e se ela, na hora do sexo, gostar que chame o nome dela, vai ficar desconfortável para o parceiro.

Levando em consideração que Jesus é um nome unissex, provavelmente deve ter alguma mulher que transou no dia anterior com um Jesus e por ter falando na hora do sexo coisas do tipo: vai, jesus! Me come com vontade! Isso jesus! Isso jesus! Assim! Não para! Como eu amo sentir o seu todo poderoso! E agora tá aqui na igreja pedindo perdão também. Foi essa tática que usei para descontrair o Guilherme que estava claramente constrangido pelo ocorrido e assim nós começamos a rir juntos, meio na hora errado, pois começamos a sorrir justo na hora que o padre estava falando sobre os sacrifícios que jesus fez por nós.

#49 A oportunidade faz um fica se tornar um relacionamento sério

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 Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a indireta lançada nas redes sociais, a mensagem “Nós éramos tão felizes juntos, volta comigo” enviando enquanto você tá bêbado e a oportunidade perdida.

Em muitas situações não deixar a oportunidade passar e o primeiro passo pra alcançar um objetivo.

Próximo do Natal, no shopping, tem gente que perde o filho, mas não perde a promoção. Ela estava escolhendo as roupas que ia provar enquanto comentava com a vendedora isso, pois no auto-falante, pela terceira vez, anunciava que tinha uma criança chorando, pois tinha se perdido da mãe.
Saiu da loja de roupas com suas novas aquisições e foi em uma de calçados. Quando ela viu, passando em frente a loja que estava, seu “ficante sério” com uma mulher linda do lado.

A vendedora perguntou se ela tinha alguma preferência e a Amanda respondeu no impulso: — Sim, tenho. Quero um salto de couro de boi pra combinar com meus chifres. Enquanto a atendente tentava encontrar algo parecido com o desejo da cliente, ela, a suposta traída, mandou mensagem pra o, até que se prove o contrário, infiel: — Ei, tá boa as compras?
— Tá. Como você sabe que tô fazendo compras?

 — Eu também tô. Te olhei agora pouco.
— Ah, sim. Mas eu já tô voltando pra casa.
— Tá indo pra casa ou pro motel com a puta que tava do teu lado?
— Tá louca?! Aquela é a minha mãe.
— Eu nem conheço a sua mãe, mas tenho certeza que ela não merece tá no meio de uma suruba de mentiras dessas. Eu sei que a gente só tem um fica sério, mas esperava no mínimo um pouco de consideração comigo. Já estamos há um ano, seis meses e três semanas nessa. Sim! Eu tô contando!

 A mensagem foi visualizada, se passaram 20 minutos até que veio a resposta e ela já puta da vida pensando “odeio gente que tem raciocínio lento”.

Ele mandou uma imagem e na legenda estava escrito “eu e minha mãe no meu aniversário de 10 anos.”

Ela viu a foto e chegou a conclusão que tinha uma grande semelhança entre eles, e agora, um pouco mais calma, se lembrou que a mulher era bem mais velha. Mas nessa situação ela viu um oportunidade que não se perdoaria se deixasse passar e respondeu a mensagem do seu ficante:  — Francisco, eu não acredito que você fez uma montagem tosca pra tentar me convencer que essa sua história mal inventada é verdade, você já tá me enganando há muito tempo, você já tem experiência em fazer isso. Esperava no mínimo algo que faça sentido.

Pra prova que a história era verdadeira, ele levou ela até sua casa no natal.

Aqui no bar, a Amanda deu um gole no seu drink de vodca com frutas e terminou de contar essa história pra suas amigas: — E foi aproveitando essa oportunidade que eu conseguir fazer com que ele me levasse a sério a ponto de me apresentar como namorada pra família dele em pleno natal.

#48 Mais interessante que um celular com internet

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Não é fácil conseguir ser alguém interessante, mais complicado ainda é conseguir ser mais interessante do que um celular, ser mais interessante do que um celular com internet então.

O Magno sabia disso, por isso fez de tudo para ganhar a batalha por atenção com o celular da Marina, mesmo os dois estando dividindo a mesa no bar o smartfone estava levando a melhor. Ele já tinha tentado várias vezes e continuava tentando, pois seguia o lema que diz que a esperança é a última que morre e além disso ainda acredita em vida após a morte.

Resolveu usar as informações que ela compartilha através do telefone moveu ao seu favor, puxou assunto sobre a palestra de um professor que a sua companheira de mesa curte muito nas redes sociais:

 — Tem algumas coisas que uma pessoa proativa não consegue entender, mas que para um preguiçoso é fácil a compreensão. Por exemplo, o palestrante, entre várias outras coisas, Cortella.
— O Cortella? Mário Sergio Cortella?
— Esse mesmo.
— Às vezes eu assisto no YouTube e no Facebook algumas das palestras dele, são bem interessantes.
— Eu também, e em uma delas ele diz que não entende pessoas que saem de suas casas para ir em restaurantes comer comida caseira, pois se eles querem comer comida caseira é só ficar em casa e preparar a própria comida.
— É, isso faz sentido.
— Sim, faz sentido, mas o que ele não se deu conta, por ser uma pessoa proativa e não preguiçosa, é que algumas pessoas não vão em um restaurante caseiro porque querem comer uma comida diferente das que come todo dia e sim porque tão com preguiça de cozinhar.
— Então se ele não percebeu isso porque é proativa, você percebeu porque é preguiçoso? É isso? Hahaha
— isso mesmo.
— Bem observador você, pode até dar palestras. Hahah
— Se o público tiver uma beleza inspiradora igual a sua, quem sabe?
— Nossa! Fiquei sem graça agora. Mas obrigada.

Ela passou o tempo todo sem mexer no celular, dando total atenção pra ele, já é a quarta vez que eles vem juntos ao bar e a primeira vez que isso acontece, o Magno estava começando a achar que o que sente pela Marina estava começando a ficar recíproco.

No celular a pessoa tem como navegar na internet que é cheia de informações e coisas interessantes, com ou sem a internet, pode assistir series baixadas na Netflix, palestras de várias pessoas interessantes do mundo pelo TED TALKS,baixar pra ler vários livros clássicos da literatura mundial gratuitamente e o mais importantes, uma variedade infinita de memes, e se tendo isso tudo a pessoa deixa o celular de lado não é porque você é mais interessante que o aparelho, porque é impossível, e sim porque a pessoa tá muito a fim de você — Após esse devaneio ele criou coragem pra dizer o real motivo dos convites pra tomar uma. Até que chegou um senhor no bar e perguntou a hora pra Marina e ela perguntou pro magno, pois o celular dela estava descarregado.

 

# 47 A felicidade por tá comemorando um ano a menos de vida.

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 — Caçapa, eu li na superinteressante que tomar um gole de 15 mililitros de cerveja é suficiente pra deixar uma pessoa feliz. Separa pra mim uma grade que hoje eu quero ser muito feliz. — Falou o Cristian, logo que chegou com seus amigos no bar pra comemorar a sua data tão especial, seu aniversário.

Meia hora depois chegou o Wesley, estudante de filosofia, que sentou com dois amigos numa mesa ao lado da que estava o Christian. Logo após ele e seus amigos secaram a quinta garrafa de cerveja, o estudante de humanas discursou antes de pedir a próxima: — Nietzsche se referia à vida como única entidade que carece de louvor, como hoje tô fazendo mais um ano de vida, eu vou gastar mais de 10% do meu salário pra louvar e agradecer essa entidade. Traz mais uma, Caçapa!

Depois de já beberem bastante, os dois aniversariantes já tinham virado amigos, juntado suas mesas e começaram a juntar dinheiro pra contratar uma stripper pra ir dançar pra todos no bar.

Me perguntaram se poderiam, como o bar é um ambiente voltado pra família, como eu sempre penso no bem estar da família, resolvi deixar, mas só fiz isso pensando na família da stripper que precisa do dinheiro dela pra sobreviver. Estava tão dedicado a ajudar famílias que até dei dinheiro pra contratar logo duas. Pela primeira vez, deis de quando comecei a tomar conta, o bar foi fechado às 22:30 em um sábado. O que eu posso fazer se sou uma alma caridosa e não perco a chance de ajudar a família da próxima?

45 minutos após serem solicitadas, as stripper´s chegaram, uma morena e uma loira, as preferências dos aniversariantes. Chegaram vestidas de um jeito bem comportado, escondendo todo o corpo, eram profissionais. As duas me deram um pendrive onde estavam as músicas, na playlist só tinha grandes nomes da música mundial, entre eles tinham Joe Cocker, Henry Mancini e Mr Catra.

Subiram no balção ao som de “You Can Leave Your”. Quando a música terminou, elas já estavam usando menos roupas, logo em seguida começou a tocar “Pink Panther Theme”, ao fim da canção, as duas estavam apenas usando calcinha, uma cinta liga e sutiã, e a próxima música foi “Vai começar a putaria”. E eu achando que já tinha começado a duas músicas atrás.

Começou a putaria, enquanto alguns estavam se deliciando cheirando as roupas que as dançarinas jogaram pra plateia, os aniversariantes foram feitos de pole dance e cada uma, revesando, dançaram se esfregando nos corpos deles. Esse dia pode ser resumido no mantra dos três B´s: Bar, bebida e bagaceira. Lucrei bastante vendendo bebidas, as mulheres também estavam ganhando bem pra fazer o que fizeram, todos os clientes que ficaram estavam se divertindo, até o filósofo Ricardo Choppenhauer estava curtindo.

Teve até uma hora que ele aproveitou que foi até o balcão pegar uma cerveja, se aproximou de mim e falou: — Aniversário é o dia que você faz um ano a mais de vida, um ano a mais que você já viveu, um ano a menos até sua morte, ou seja, a vida é tão boa que as pessoas comemoram cada ano que diminui a distância entre elas e a morte.

#46 HD com defeito

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Imagem tirada do blog LIQUIDIFICORDEL

 Ele é um típico youtuber, na sua identidade está escrito: Henrique Fernandes Dasmaceno, na Internet é conhecido como HD, ele ganhou esse apelido no ensino médio, pois sempre teve uma boa memoria. Usa óculos de grau, não por estilo, mas sim por necessidade, aparenta ter 25 anos, por causa do tamanho da sua barba, mas tem apenas 22; é meio fora de forma, o único exercício físico que faz é a corrida, corre pra tirar as roupas do quintal quando começa a chover.

 Começou a fazer daily vlog depois de consegui um número de inscritos alto e esses mesmos inscritos, com muita frequência, pedir pra ele fazer daily vlog(daily vlog: é onde as pessoas falam e mostram sua rotina, é tipo um diário em vídeo. Se na época da Anne Frank existisse Internet, ela não teria escrito um diário, ela teria feito um daily vlog).

  Ele se acostumou rápido a fazer daily vlog, pois as pessoas saberem da sua vida e comentar sobre ela não é nem uma novidade, quando você mora em uma vizinhança onde têm várias vizinhas marocas e fofoqueiras.

O número de inscritos e de visualizações aumentaram, por causa da frequência de vídeos postados e, claro, também por causa da sua criatividade, porém nem tudo é perfeito. Um certo dia, ele estava trasando com sua namorada em seu quarto/estúdio, eles trocaram de posição, o seu rosto ficou de frente para a câmera que ele grava seus videos, e de forma automática, ele todo animado falou, olhando pra câmera desligada: — E AI GALERA, TÁ COMEÇANDO MAIS UM DAI… antes que ele terminasse a frase a sua namorada já tinha quebrado a câmera na sua cabeça, antes dele tentar se explicar ele já estava solteiro.

Isso já tinha acontecido outras vezes, ele olhar uma câmera e começar a falar com ela como se estivesse gravando um daily vlog, por causa disso procurou um especialista e descobriu que tem algo parecido com a sindrome de tourette, começou a fazer tratamento e melhorou do seu problema.

Isso que fez ele vim pro bar comemorar a sua melhora, quando veio pagar a conta, enquanto esperava o troco, ele passou os olhos pelas bebidas que ficam na prateleira superior onde no fim da prateleira fica a câmera de segurança, ele olhou a câmera e falou: — E AI GALERA, TÁ COMEÇANDO MAIS UM DAILY… foi embora sem terminar a frase e sem receber o troco.

#45 Tem casais que a única coisa que tem de comum é o fato de não ter nada em comum.

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A Cibele é de Alcântara, interior do Maranhão, e adora anime. O Thierry é da capital maranhense e acha que anime, coisa na qual chama propositalmente de desenho japonês, é coisa de virgem. A Cibele era virgem quando eles se conheceram e continuou assim por um longo tempo, seis horas após serem apresentados um ao outro por uma amiga em comum dos dois.
Antes de se despedirem trocaram seus números. Pelo aplicativo de mensagens instantâneas marcaram de sair. Ela chama o aplicativo de whatsapp, já ele de atezap.

Fizeram várias tours pela cidade que geralmente terminava em motéis. Às vezes iam ao cinema, o Thierry sempre achou os filmes melhores que os livros, pois nunca teve paciência pra ler nem um. Já ela se surpreende com a capacidade que alguns seres humanos têm de transformar livros incríveis em filmes toscos.
A Alcantarense é universitária e esse foi o motivo que a levou deixar sua cidade natal e se mudar pra São Luis do Maranhão, enquanto o ludovicense enche a boca pra dizer que já acabou de estudar, quando alguém pergunta da sua escolaridade, sendo que só completou o ensino médio.

Ele é contra a legalização do aborto , já sua namorada é contra a mulher não ter autonomia sobre o próprio corpo.
Quando o casal vem ao bar, ele sempre pede cerveja e ela vinho. Geralmente frequentam o bar na sexta, dia de música ao vivo. O quase alcoólatra manda com bastante frequência, aos berros, pra banda da noite tocar pagode; já a apreciadora de vinho, todas às vezes pede, escrevendo em um guardanapo, que toque MPB. Mas uma coisa eles tem em comum, o amor. Ela ama ele e ele também se ama bastante.

#44 Um ateu e um cristão entram no bar (10 diálogos no balcão do bar )

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Imagem retirada do blog LIQUIDIFICORDEL

 

-Vamos beber de boa nossa cerveja.
-Não, mas só me responde se Deus não existe como o mundo existe?
-Você vai querer mesmo discutir isso de novo? Que necessidade é essa de querer que todos pensem igual a você?
-Vai fugir da discussão de novo e não vai responder minha pergunta?
-Big bang, filhao, foi o big bang.
-Então você acredita que do nada pode surgir algo?
-Já te respondi, Mateus.
-Cara, é impossível algo se feito do nada, o nada é simplesmente nada e não tem como sugir algo a partida do nada, muito menos uma grande explosão.
-Beleza! Então, do nada é impossível sugir algo, certo?
-Isso!
-Se deus fez o mundo quem foi que fez deus?
-Esse é o seu melhor argumento?!
-Nao, pra mim o melhor argumento de todos é teu cu.
-Nossa, Matos, isso é coisa de pessoa que tem um vocabulário chulo e não tem argumentos descentes.
-teu cu!