Bar do Caçapa

# 47 A felicidade por tá comemorando um ano a menos de vida.

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 — Caçapa, eu li na superinteressante que tomar um gole de 15 mililitros de cerveja é suficiente pra deixar uma pessoa feliz. Separa pra mim uma grade que hoje eu quero ser muito feliz. — Falou o Cristian, logo que chegou com seus amigos no bar pra comemorar a sua data tão especial, seu aniversário.

Meia hora depois chegou o Wesley, estudante de filosofia, que sentou com dois amigos numa mesa ao lado da que estava o Christian. Logo após ele e seus amigos secaram a quinta garrafa de cerveja, o estudante de humanas discursou antes de pedir a próxima: — Nietzsche se referia à vida como única entidade que carece de louvor, como hoje tô fazendo mais um ano de vida, eu vou gastar mais de 10% do meu salário pra louvar e agradecer essa entidade. Traz mais uma, Caçapa!

Depois de já beberem bastante, os dois aniversariantes já tinham virado amigos, juntado suas mesas e começaram a juntar dinheiro pra contratar uma stripper pra ir dançar pra todos no bar.

Me perguntaram se poderiam, como o bar é um ambiente voltado pra família, como eu sempre penso no bem estar da família, resolvi deixar, mas só fiz isso pensando na família da stripper que precisa do dinheiro dela pra sobreviver. Estava tão dedicado a ajudar famílias que até dei dinheiro pra contratar logo duas. Pela primeira vez, deis de quando comecei a tomar conta, o bar foi fechado às 22:30 em um sábado. O que eu posso fazer se sou uma alma caridosa e não perco a chance de ajudar a família da próxima?

45 minutos após serem solicitadas, as stripper´s chegaram, uma morena e uma loira, as preferências dos aniversariantes. Chegaram vestidas de um jeito bem comportado, escondendo todo o corpo, eram profissionais. As duas me deram um pendrive onde estavam as músicas, na playlist só tinha grandes nomes da música mundial, entre eles tinham Joe Cocker, Henry Mancini e Mr Catra.

Subiram no balção ao som de “You Can Leave Your”. Quando a música terminou, elas já estavam usando menos roupas, logo em seguida começou a tocar “Pink Panther Theme”, ao fim da canção, as duas estavam apenas usando calcinha, uma cinta liga e sutiã, e a próxima música foi “Vai começar a putaria”. E eu achando que já tinha começado a duas músicas atrás.

Começou a putaria, enquanto alguns estavam se deliciando cheirando as roupas que as dançarinas jogaram pra plateia, os aniversariantes foram feitos de pole dance e cada uma, revesando, dançaram se esfregando nos corpos deles. Esse dia pode ser resumido no mantra dos três B´s: Bar, bebida e bagaceira. Lucrei bastante vendendo bebidas, as mulheres também estavam ganhando bem pra fazer o que fizeram, todos os clientes que ficaram estavam se divertindo, até o filósofo Ricardo Choppenhauer estava curtindo.

Teve até uma hora que ele aproveitou que foi até o balcão pegar uma cerveja, se aproximou de mim e falou: — Aniversário é o dia que você faz um ano a mais de vida, um ano a mais que você já viveu, um ano a menos até sua morte, ou seja, a vida é tão boa que as pessoas comemoram cada ano que diminui a distância entre elas e a morte.

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#46 HD com defeito

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Imagem tirada do blog LIQUIDIFICORDEL

 Ele é um típico youtuber, na sua identidade está escrito: Henrique Fernandes Dasmaceno, na Internet é conhecido como HD, ele ganhou esse apelido no ensino médio, pois sempre teve uma boa memoria. Usa óculos de grau, não por estilo, mas sim por necessidade, aparenta ter 25 anos, por causa do tamanho da sua barba, mas tem apenas 22; é meio fora de forma, o único exercício físico que faz é a corrida, corre pra tirar as roupas do quintal quando começa a chover.

 Começou a fazer daily vlog depois de consegui um número de inscritos alto e esses mesmos inscritos, com muita frequência, pedir pra ele fazer daily vlog(daily vlog: é onde as pessoas falam e mostram sua rotina, é tipo um diário em vídeo. Se na época da Anne Frank existisse Internet, ela não teria escrito um diário, ela teria feito um daily vlog).

  Ele se acostumou rápido a fazer daily vlog, pois as pessoas saberem da sua vida e comentar sobre ela não é nem uma novidade, quando você mora em uma vizinhança onde têm várias vizinhas marocas e fofoqueiras.

O número de inscritos e de visualizações aumentaram, por causa da frequência de vídeos postados e, claro, também por causa da sua criatividade, porém nem tudo é perfeito. Um certo dia, ele estava trasando com sua namorada em seu quarto/estúdio, eles trocaram de posição, o seu rosto ficou de frente para a câmera que ele grava seus videos, e de forma automática, ele todo animado falou, olhando pra câmera desligada: — E AI GALERA, TÁ COMEÇANDO MAIS UM DAI… antes que ele terminasse a frase a sua namorada já tinha quebrado a câmera na sua cabeça, antes dele tentar se explicar ele já estava solteiro.

Isso já tinha acontecido outras vezes, ele olhar uma câmera e começar a falar com ela como se estivesse gravando um daily vlog, por causa disso procurou um especialista e descobriu que tem algo parecido com a sindrome de tourette, começou a fazer tratamento e melhorou do seu problema.

Isso que fez ele vim pro bar comemorar a sua melhora, quando veio pagar a conta, enquanto esperava o troco, ele passou os olhos pelas bebidas que ficam na prateleira superior onde no fim da prateleira fica a câmera de segurança, ele olhou a câmera e falou: — E AI GALERA, TÁ COMEÇANDO MAIS UM DAILY… foi embora sem terminar a frase e sem receber o troco.

#45 Tem casais que a única coisa que tem de comum é o fato de não ter nada em comum.

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A Cibele é de Alcântara, interior do Maranhão, e adora anime. O Thierry é da capital maranhense e acha que anime, coisa na qual chama propositalmente de desenho japonês, é coisa de virgem. A Cibele era virgem quando eles se conheceram e continuou assim por um longo tempo, seis horas após serem apresentados um ao outro por uma amiga em comum dos dois.
Antes de se despedirem trocaram seus números. Pelo aplicativo de mensagens instantâneas marcaram de sair. Ela chama o aplicativo de whatsapp, já ele de atezap.

Fizeram várias tours pela cidade que geralmente terminava em motéis. Às vezes iam ao cinema, o Thierry sempre achou os filmes melhores que os livros, pois nunca teve paciência pra ler nem um. Já ela se surpreende com a capacidade que alguns seres humanos têm de transformar livros incríveis em filmes toscos.
A Alcantarense é universitária e esse foi o motivo que a levou deixar sua cidade natal e se mudar pra São Luis do Maranhão, enquanto o ludovicense enche a boca pra dizer que já acabou de estudar, quando alguém pergunta da sua escolaridade, sendo que só completou o ensino médio.

Ele é contra a legalização do aborto , já sua namorada é contra a mulher não ter autonomia sobre o próprio corpo.
Quando o casal vem ao bar, ele sempre pede cerveja e ela vinho. Geralmente frequentam o bar na sexta, dia de música ao vivo. O quase alcoólatra manda com bastante frequência, aos berros, pra banda da noite tocar pagode; já a apreciadora de vinho, todas às vezes pede, escrevendo em um guardanapo, que toque MPB. Mas uma coisa eles tem em comum, o amor. Ela ama ele e ele também se ama bastante.

#44 Um ateu e um cristão entram no bar (10 diálogos no balcão do bar )

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Imagem retirada do blog LIQUIDIFICORDEL

 

-Vamos beber de boa nossa cerveja.
-Não, mas só me responde se Deus não existe como o mundo existe?
-Você vai querer mesmo discutir isso de novo? Que necessidade é essa de querer que todos pensem igual a você?
-Vai fugir da discussão de novo e não vai responder minha pergunta?
-Big bang, filhao, foi o big bang.
-Então você acredita que do nada pode surgir algo?
-Já te respondi, Mateus.
-Cara, é impossível algo se feito do nada, o nada é simplesmente nada e não tem como sugir algo a partida do nada, muito menos uma grande explosão.
-Beleza! Então, do nada é impossível sugir algo, certo?
-Isso!
-Se deus fez o mundo quem foi que fez deus?
-Esse é o seu melhor argumento?!
-Nao, pra mim o melhor argumento de todos é teu cu.
-Nossa, Matos, isso é coisa de pessoa que tem um vocabulário chulo e não tem argumentos descentes.
-teu cu!

#43 Neto traumatizado, avó feliz

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Existe avó protetora e tem também avó superprotetora, super pois é uma heroína, ou seja, uma droga. É com esse trocadilho nível tio do pavê que começo esse texto sobre a senhora e o seu neto que moram a cinco casas de onde fica o bar.

Dona Cremilda andava bastante preocupada com seu neto Romilson de 10 anos, pois estava em tempo de pipa, coisa na qual o garoto era viciado.

A senhora que faz 10 anos que chegou na terceira idade, ficou sabendo que o Romarinho, filho da Rosa, a Rosa que é filha do seu compadre Silva, foi atropelado quando atravessou a rua correndo atrás de papagaio e tá agora tendo que andar de muleta.

Por isso a Dona Cremilda achou que teria que tomar alguma atitude pra não acontecer o mesmo com o filho da sua filha. Como ele também gostava bastante de ler, ela o presenteou com o livro “o caçador de pipas”.

O Romilson lia o livro apenas à noite, pois estudava pela manhã e passava a tarde toda empinando e correndo atrás de pipa.

Até que ele parou de fazer isso que tanto gostava, pois ficou traumatizado quando leu que o personagem pobre do livro tinha sido estuprado numa viela vazia quando corria atrás de papagaio.

O menino ficou impactado e a avó ficou feliz por ver o neto ficando em casa em segurança. O neto perturbado e achando que poderia ser estuprado a qualquer momento era só um detalhe, o importante é que ele está ficando em casa em segurança fazendo companhia a avó.

#42 Viver em sociedade e manter a fé na humanidade será que é possível?

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Imagem retirada do blog LIQUIDIFICORDEL

Precisamos falar sobre a falta de fé na humanidade, mas primeiro, acho que precisamos falar sobre essa mania facebookeana de começar um texto sobre algum tema sério com “precisamos falar sobre”. Sério?! Será que não tem nem uma outra frase de efeito pra começar o seu texto?

 —  Viver em sociedade e manter a fé na humanidade será que é possível? —  Isso foi o que pensei logo após o Carlos me contar algo que aconteceu no seu meio de semana.

Como era um sábado e o bar estava lotado e eu estava atendendo sozinho, o que era pra ser um diálogo acabou virando um monólogo. E enquanto eu servia, ele aproveitava pra beber e quando eu voltava ele continua a história, a mesma que tá logo a baixo sem pausas:

 — Vi um motoqueiro entrando numa loja e deixando a chave da moto dele na ignição, logo pensei, isso que é confiar no próximo, o resto é balela. Me deu até uma animação saber que ainda têm pessoas que confiam na humanidade. Eu não me orgulho, mas não confio mais em quase ninguém, imagina em pessoas estranhas que tão passando no centro num sol quente e, eu sei muito bem, que nem todos tem dinheiro pra passagem de ônibus. Mas vendo aquele exemplo ao vivo, fiquei decidido a mudar essa falta de confiança no resto da humanidade.

Caçapa, sei que você tá muito ocupado, mas tenta seguir meu raciocínio: Os muçulmanos acreditam que uma espécie de cavalo alado transportou o profeta Maomé de Meca até Jerusalém numa noite. Os cristãos acreditam que um homem, nascido de uma virgem, voltou à vida três dias depois de ter morrido. Ou seja, tem tanta crença fora da realidade que não é tão absurdo assim confiar no próximo. Eu fiquei disposto a fazer isso até que o motoqueiro saiu de lá correndo, ligou a moto e saiu a mil, e em poucos segundos apareceu o dono da loja gritando: “PEGA LADRÃO, PEGA LADRÃO!”

#41 No viva voz para todos ouvirem que perdeu a mulher que ama (9 Diálogos no balcão do bar)

-Alô?

-Alô!

-Paula sou eu, Messias.

-Eu sei.

-Viu? nós ainda estamos tão ligados um no outro que basta tu ouvir minha voz pra saber quem é.

-Na verdade é porque eu tenho seu número gravado e meu celular avisa quem liga. Mas me diz logo o que você quer?

-Tu sabe muito bem o que eu quero.

-Não, eu não sei. Tchau, tenho prova pra elaborar.

-Não desliga, por favor, não desliga. Ouvir sua voz foi uma das poucas felicidades que me restaram.

-Eu não quero saber! Liga pra aquela putinha que você gastou todo o dinheiro do teu FGTS com ela.

-Você vai me condenar pelo resto da vida por causa disso?

-Espera aí, você tá falando comigo com o viva voz ligado?!

-Sim, porque quero que todos do bar saibam que eu te amo, meu amor.

-Eu te amo, meu amor é pleonasmo!

(TUM… TUM… TUM…)​

#40 Somos toscos iguais

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Imagem tirada do blog LIQUIDIFICORDEL#4

Filósofo de bar geralmente é aquela pessoa que quando tá muito bêbada acaba achando que o seu pensamento toscos é genial o bastante a ponto de ser inaceitável não compartilhar com a humanidade, as redes sociais estão cheias de filósofos de bar.

Ele sempre chegava no bar calado, sentava numa mesa sozinho e começa a beber e depois que já tinha bêbado bastante começa a filosofar. Nunca incomodou nem um cliente, na maioria das vezes ele os entretinham. Um dia um dos clientes empolgado com a bebida e com o que ele tinha dito, falou: — todo bar que preste tem um filósofo e nesse bar não é diferente, pois temos você, e aportou pra ele, um homem da pela escura, cabelo crespo e com uma barriga de chopp, um sujeito que pra descobrir o nome dele só depois que ele ficou bastante bêbado e conversador, agora todos já sabem que ele se chama Ricardo e que trabalha de mecânico perto lá do bar, que ele trabalha de mecânica muitos já sabiam, a unanimidade era o desconhecimento em relação ao seu nome. Que não fez muito diferente as pessoas saberem, pois todos continuavam a chama-lo de filósofo.

Um certo dia, ele estava sentado sozinho bebendo numa mesa e na mesa ao lado também tinha um cliente que a única companhia era um copo cheio de cerveja e uma garrafa pela metade, esse sujeito estava falando ao celular, e antes de desligar a ligação falou bem alto: — Você tá certa, agora que fui demitido eu não sou mais porra nem uma! E desligou o telefone. O filósofo ouviu isso é foi até a sua mesa e disse: — Nunca aceite alguém dizer que você não é porra nem uma, pois não passamos de porras evoluídas, logo alguma porra você é. E o sujeito a única coisa que fez foi rir e agradecer pela frase motivacional.

Se passou algumas semanas e o filósofo voltou ao bar, o bar estava cheio, era um domingo à tarde, e como sua fama no bar já estava grande, ele ouvir de alguns clientes se eles teriam a honra de ouvir-lo filosofar. Ele passou sem entender nada e sem responder, foi direto pro banco que fica em frente ao balcão, pois era um dos poucos lugares vazios, começou a beber, depois da quarta garrafa ele se levantou e começou a filosofar. Um estudante de filosofia, que estava usando uma camisa que tinha estampado bem na frente a frase “somos todos iguais”, empolgado, empolgado é um belo eufemismo pra bêbado, declarou: — Esse é o nosso choppenhauer, uma alusão ao filósofo alemão Schopenhauer, logo após ouvir as palavras do Ricardo, que foram essas: — Somos todos iguais, achamos que o Deus que acreditamos é o único Deus que existe, enquanto o dos outros é apenas invenção, mas para os outros, nós somos os outros. Somos todos iguais. Enquanto achamos que o outro tem uma opinião diferente porque são mal informados, o outro acha que pensamos diferente porque não nos informados direito. Somos todos iguais. Nós odiamos quem acha que tá sempre certo, nós achamos que estamos sempre com a razão. Nós somos todos iguais! Somos todos iguais! O inferno são os outros e você sempre será os outros de alguém…Somos toscos iguais.

#39  Ganhando um presente divino através do pecado


Hoje em dia a gestante tem tantas opções que é possível que antes do parto venha a dúvida: Fazer o normal, cesariano, na água, de cócoras, parto de Leboyer, induzido, pélvico, domiciliar, ou partir pro aborto?
Estavam sentadas na parte da frente do bar, onde é mais ventilado, pois era uma quinta-feira quente, que em São Luís significa uma noite como outro qualquer.
— E agora? como você vai explicar pro seu pai? —  perguntou com um sussurro que não escondia sua preocupação, a sua melhor amiga, a Fabiana, uma negra como a noite e redonda como a lua cheia.
A Barbara pegou um guardanapo e com ele limpou o suor do seu rosto branco e fino, deu algumas mordidas no hambúrguer que estava comendo, enquanto pensava em alguma resposta, porém não conseguiu formular nada, pois já estava com bastante coisas para pensar. Em vez de falar algo, apenas continuou comendo. Seu apetite nunca foi tão grande, por isso sempre foi magra mesmo sem fazer dieta e frequentar academia.
Ficaram em silêncio por um bom tempo pensando no problema, que não é nem tanto a gravidez e sim que ela tá gravida antes de tá casada; tá gestante antes do matrimônio significa que ela transou antes do casamente e isso quer dizer que a Barbara não seguiu as regras do livro sagrado. Seu pai é pastor e sua mãe é bastante religiosa. Por isso o temor em revelar que ganhou um presente divino. Será como fica a cabeça de um casal religioso ao saber que a própria filha ganhou um presente divino através de um pecado?
Começou a pensar em dizer que continua virgem e que foi o espirito santo que colocou a criança em seu ventre e, possivelmente, essa criança pode ser o novo messias. Pode até ser uma alternativa, mas incrível que pareça eles não vão acreditar nessa historia, e assim completou seu raciocínio.
É 8 ou 80, nunca é algo do tipo: 8 coisas boas, ou 80 coisas super boas é sempre algo tipo: 8 coisas ruins, ou 80 coisas super ruins. A futura mãe teve mais esse pensamento tosco enquanto pensava em sua gravidez.
Antes de contar para os seus pais, ela ainda teria que revelar pra o seu namorado. Ficou se perguntando como seria a reação dele quando soubesse. Ela é carioca, o namorado dela é paulista e o pai do filho que ela tá esperando é maranhense.

#38 Uma triste história de poliamor (8 DIÁLOGOS NO BALCÃO DO BAR)

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 — Tava assistindo um programa outro dia, onde a apresentadora, uma baita de uma gostosa, tava falando sobre relacionamento. Ai começaram a falar de um tal de poliamor, só de ouvir o nome logo pensei: “deve ser alguém que tem tesão por essas mulheres que se esfregam no pole dance”. Mas pior que não. É um tal de relacionamento a três, ai pensei: “porra, eu tenho esse negocio aí de poliamor. Eu, minha mulher e minha amante.” Ai a apresentadora explicou que os três são ciente do relacionamento. Ai pensei: “minha mulher não sabe, então não é poliamor”. Até ai eu tava achando que era tipo ânus.
— como assim tipo ânus?
— Ânus não é um nome bonitinho pra cu? Eu achei que poliamor era um nome moderninho pra traição. Mas os três sabem, um relacionamento com três, ou mais pessoas, só isso.
— Agora eu fiquei curioso, o que mais falou nesse programa ai, Paulo Victor?
— Eu não sei, minha mulher veio começar uma discussão comigo. Taynisson, eu já desistir, joguei a toalha!
— Vai deixar a mulher mandar em ti?!
— Joguei a toalha molhada em cima da cama. Hahahah

 — hahaha. É isso aí, tem que mostrar quem manda.
— Mas na real, meu casamento tá aquele tipo de relacionamento que tem tanta discussão, as discussões são tão presentes que tô até começando a achar que tô vivendo mesmo um poliamor, eu, minha mulher e a discussão. E o pior, às vezes, eu acho que ela sente mais prazer com a discussão do que comigo na cama.