Mês: fevereiro 2017

#28 comemoração (7 diálogos no balcão do bar)

do bar

— E ai cara.
— Fala, Renan, quanto tempo, cara.

— Tá sentando em frente ao balcão por quê? Tem tanta mesa sobrando.

— É porque quanto mais perto do balcão mais rápido a cerveja vem.

— Blz, me convenceu.

— E ai, como tá as coisas?

— Consegui um emprego, não é lá essas coisas, mas da pra me sustenta. E você?

— Mesma coisa de sempre, ainda tô trabalhando de motoboy, a Vânia de professora, o bolsa família ajuda a pagar algumas coisinhas e a nossa filha só crescendo. E puxou pra mãe.

— Então é bonita.

— E também consegue me fazer abrir a carteira fácil, fácil.

— Hahahahah. Então puxou pra mãe mesmo.

— Ei, tu sabe que sendo motoboy eu ando essa ilha todo e acabo vendo coisas.

— Claro que sei, Mateus.

— Outro dia eu ti vi entrando com uma deusa no motel. Era um filé. Cara, você tá bem alimentado.

— Eu fui comemorar que tinha conseguido um emprego novo com ela.

— Ela trabalha com você lá?

— Não, ela é garota de programa.

— Que massa! Ela trabalha em qual emissora?

#27 Um brinde 

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Imagem tirada do blog LIQUIDIFICORDEL

A Thais sentou em frente ao Diogo e o Dennis ocupou a cadeira rente a cadeira que estava o Glauber e assim todos se sentaram na mesma mesa. O Diogo é namorado da Thais, o Glauber é do Dennis.

O Glauber é o Dennis estavam brigados, a Thais e o Diogo também. O Dennis e a Thais são amigos de infância e seus namorados são amigos que se conheceram no trabalho.

Os casais vieram ao bar comemorar a reconciliação. Levado pelo momento, o Diogo levantou o copo que estava cheio de cerveja e propões um brinde: — Um brinde a esse sentimento incrível que consegue juntar pessoas diferentes chamado amor. Todos brindaram.

 — Um brinde a nós que estamos aqui todos felizes brindando o amor. — Disse a Thais logo em seguida. Brindaram todos

Quando conheceu o Dennis, o Glauber se descobriu homossexual e logo em seguida descobriu a homofobia, só ainda não conseguiu descobrir como o amor e até um ato de carinho entre duas pessoas em público pode ofender alguém. Por segurança, são raros os lugares onde eles trocam carícias.

 Aproveitando a deixa, ele também propôs um brinde: — Um brinde ao amor e que um dia o ato de carinho entre duas pessoas não seja considerado um insulto para os outras. Todos brindaram.

— Também quero propor um brinde ao amor, as várias formas de amor  — disse o Dennis. Todos brindaram.

O Diogo disse: — Que nenhuma briguinha boba seja capaz de nos separar de quem nós amamos. Apenas o Diogo e o Glauber brindaram.

Foi a vez da Thais: — Que nem uma discussão importante seja tratada como briguinha boba e assim os casais sejam mais felizes. Apenas a Thais e o Dennis brindaram.

O Glauber levantou novamente seu copo e propões: — Um brinde pra quem sabe que evitar uma briga é melhor do que brigar. Novamente apenas o Diogo brindou com ele.

O Dennis logo chamou a atenção pra si — Um brinde a quem tem noção que sem discutir um problema, ele dificilmente vai ser resolvido. De novo só a Thais levantou o copo pra brindar com seu amigo.

A cada brinde os quatro davam um gole na cerveja, eles brindavam na mesma proporção que bebiam, já tinham discutindo sobre tudo, opa, discutido não, brindado e continuavam:

Glauber: —Um brinde pra quem é realista e sabe que cantora pop não faz música pra te emponderar e sim porque tem toda uma pesquisa de mercado pra encontrar uma forma de conquistar publico e dinheiro. Só o Glauber e o Diogo brindaram.

Thais: — Um brinde pra quem sabe que jogador de futebol é apenas um funcionário do time e não alguém que joga por amor ahahaha a camisa. Apenas o Denis e a Thais brindaram.

Diogo: — Um brinde pra quem não é irracional a ponto de brigar com amigas por causa de diva pop. Apenas o Diogo e o Glauber brindaram.

Dennis: — Um brinde pra quem é racional e não briga com amigos por causa de time futebol. Só a Thais e o Denis brindaram.

Thais: — Um brinde a solterice, esse incrível presente de Deus que ganhamos e que nos deixa ser felizes sozinhos e se divertir sem compromisso e também nos deixa livres pra conhecer pessoas novas e mais interessantes do que os que já passaram pelas nossas vidas. Todos brindaram.

#26 A oração, o gol e a revolta

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A disputa em um jogo de futebol começa antes do juiz autoriza o início da partida, começa quando os dois times, já em campo, fazem duas rodinhas, uma de cada lado, pra disputar quem tem a oração mais forte. Enquanto o juiz e os bandeirinhas também fazem o mesmo, mas essa última eu acho que é pra evitar que eles comentam algum erro. Se os juízes brasileiros rezam pra Deus ajuda-los a não erra nos lances dos jogos, levando em consideração o tanto que eles erram, só prova que Deus é brasileiro e como bom amante de futebol, quer mais é que eles se fodam.

 Ao menos essa é a teoria do Caio. Que era um entre vários torcedores que estavam lotando o bar na quarta-feira à noite. Quarta-feira à noite, ou popularmente chamado pelos amantes do esporte mais praticado no mundo: o dia de desligar o cérebro e assistir futebol. A parte de desligar o cérebro explica o porque de tantas brigas nos estádios. Mas para os donos de bar é chamado de “mais um dia pra fatura a custa da alegria ou da decepção aleia.”

A agressividade dos dois times no segundo tempo deixava claro que a primeira parte da partida foi morna porque ambos estavam se estudando.

Enquanto todo mundo quer ver gol’s, os goleiros querem impedir que eles aconteçam. Nesse jogo os goleiros estavam pegando tudo, até garrafa pet na cabeça.

No futebol, em questão de minutos, a esperança por seu time tá atacando bastante e quase fazendo o gol, vira decepção, porque no contra ataque o time adversário consegue um pênalti. Entre deixar o time adversário fazer o gol ou fazer o pênalti pra ter uma pequena chance do atacante erra ou do goleiro defender, a segunda opção sempre é a escolha certa.

A os 45 minutos do segundo tempo o goleiro defendeu o pênalti. Futebol prova que enquanto um grupo de pessoas estão felizes no mundo é sinal que outro grupo de pessoas estão tristes. Como é bom quando esse grupo triste são os torcedores do time adversário.

O Caio feliz voltou a falar: — claro que o jogo vai terminar empatado, os dois times tem o mesmo número de torcedores, logo as orações feitas antes do jogo começa tinham a mesma força.

Enquanto saia da sua boca a última palavra saiu um gol do outro time. Ele ficou sem entender. Resmungou: Como isso é possível? Será que eles rezaram com mais fé e mais forte?

Até que lembrou que o juiz também estava rezando antes do jogo começar: — O juiz torce pro outro time, o juiz rezou pro outro time, juiz filho da puta!

#25 Se sentido gata

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A promessa feita de joelhos – em frente ao vazo sanitário – de nunca mais beber de novo, enquanto vomita, é esquecida quando tá sentando em uma mesa de bar. A maior prova disso é o Adriano, que fez a promessa há uma semana e agora tá pedindo pra eu levar uma cerveja pra ele na mesa 1.

Na mesa 2 estava o Richalyson desabafando com o seu melhor amigo Gilson, no desabafo ele estava comentando como tinha medo de ser preso, porque não estava com condição de pagar a pensão do seu filho, que já estava há quatro meses atrasada. Quem diz que filho não prende homem é porque não conhece um que deixou de pagar pensão alimentícia.

Em cima da mesa três, estava uma poção de batatas fritas já fria, dois copos cheios de cerveja e uma garrafa ainda no meio, tudo já quente. Sentadas nas cadeiras do lado direito estavam a Bruna e a Cris, que tiravam fotos enquanto esperavam a Carina. Se for contar em fotos que as clientes da mesa 3 tiraram enquanto esperavam a atrasada, já havia se passado 39 selfies, 10 fotos editadas no photoshop e com filtros do instagram e duas fotos postadas.

Enquanto eu servindo a mesa quatro, ouvir o seguinte dialogo:

— Por que você tá todo felizinho assim, Bernardo?

— Lembra que eu disse que eu tava namorando? Então, dormir pela primeira vez na casa dela.

— Não acredito. E ai comeu?!
— Claro, Davi. Comi gostoso…
— De frango, de boi?
— De porco também.
— De porco?! Essa é nova pra mim.
— Tu nunca comeu carne de porco?!
— Perai, tu tá falando de quê?!
— Do banquete que ela fez pra mim. Tu achou que eu tava falando de quê?!
— Deixa pra lá.

O bar estava com todas as mesas cheias, quando chegou a Carina. O Adriano falou baixinho pra mim, enquanto servia sua mesa:  — Por essa eu pararia de beber. O Richalyson sussurrou pro Gilson, enquanto olhava pra ela. — Por essa ai eu não atrasaria a pensão, porque nem me separar dela eu ia. Enquanto o Bernado contava, empolgado, o quanto era bom a comida da sua namorada. O Davi, sem tirar os olhos da recém chegada disse: — Deve ser muito gostosa mesmo. Mas ele não falou isso pensando na comida.

A Carina estava se sentindo gata, bem consigo mesmo, mas isso não tinha nada a ver com o fato de ter sido desejada por quase todos do bar, ela já estava acostumada a chamar atenção dos homens e mesmo assim achar que precisava perder alguns quilos pra se achar minimamente bonita. Ela estava se sentindo gata, porque conseguiu fazer o que julgava não ser capaz, deixar na caixinha de areia do passado o bosta do seu ex namorado.